Uma publicação dos alunos do Curso de Comunicação Social da
Facha - Faculdades Integradas Hélio Alonso
Unidade Botafogo.

jornallaboratoriofacha@gmail.com


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28/11/08

Jornal Laboratório - Outubro/Novembro/Dezembro em jpg












26/11/08

Jornal Laboratório na gráfica. Entrevista com o jornalista Alberto Dines é destaque.



Outros destaques desta edição, que será a última do ano:
Reportagem sobre Jornalismo no cinema e matéria "Perguntas cretinas, respostas idiotas".

25/11/08

Fazendo Media

Matéria originalmente postada no site do informativo Fazendo Media , que conta com a colaboração de 4 alunos da FACHA.

Texto de: Eduardo Sá. Fotos: Angelo Cuissi.


No mês da consciência negra e do dia da cultura há uma dívida e necessidade histórica em reverenciarmos essas datas. Nessa reportagem, a homenagem será direcionada à Capoeira Angola, tão presente na raiz de nossa cultura.

Mestre Manoel conta toda a história e filosofia dessa arte no Brasil. Ele esclarece o porquê da maioria da população cultivar equivocadamente a capoeira hoje como um esporte ou mero lazer dando-lhe uma aparência completamente descaracterizada e comercializável. Aliás, essa versão sempre foi conveniente às elites e aos exploradores, desde a colonização, por se tratar de um movimento sistematicamente omitido e de resistência não só cultural, mas também sócio-racial.

Mercado banaliza capoeira como resistência racial
A origem da Capoeira Angola vem do outro lado do Atlântico, da África, e na época consistia na luta entre guerreiros para conquistarem suas mulheres nas tribos da nação Banto. A manifestação simbolizava um rito de passagem através dos cantos e ritmos orquestrados ao redor de uma roda; conta o mestre Manoel.

Essa essência relacionada ao sagrado, cultural e filosófica, veio junto com os escravos para o Brasil, mas devido à repressão sistemática da prepotência ocidental, que nunca foi capaz de compreender sua riqueza, o ritual foi ganhando um caráter de resistência, principalmente racial.

Aqui, a capoeira começou sendo praticada às escondidas e como método de autodefesa frente às crueldades da escravidão. Foi extremamente marginalizada pela alta sociedade que a mitificou em vagabundagem segundo seus interesses particulares. O principal pioneiro na luta pelo respeito à capoeira foi o Mestre Pastinha, na Bahia, que através dos seus estudos teve condições de romper com os tabus na sociedade ao esclarecer os fundamentos daquela cultura até então mal vista e estigmatizada.


APESAR DA OPRESSÃO, CAPOEIRA ANGOLA RESISTE
No governo de Getúlio Vargas é que ela ganhou visibilidade, porém foi progressivamente perdendo sua africanidade em benefício de fins comerciais a favor do sistema que tanto a reprimiu, tendo como exemplo emblemático o carnaval na Sapucaí.

Hoje, a capoeira está em diversas academias e os abadás se tornaram uma ferramenta para se alcançar o sucesso e ganhar dinheiro, articulada, em sua maioria, por brancos. Não que ela seja restrita aos negros, mas toda a sua tradição e finalidade conscientizadora de resistência racial e cultural está sendo jogada para segundo plano com a falta de espiritualidade. O que é chamado hoje de “capoeira contemporânea” tem até como requisito a formação em educação física. Jovens se tornam mestres cedo e aquilo que é um aprendizado adquirido através do tempo vai perdendo sua essência e sendo banalizado à mercê do mercado.

Pra não perder a capoeira e o sentido da vida
O Mestre Manoel representa um dos poucos que ainda fazem trabalhos nos guetos. Para ele é fundamental dar uma identidade às novas gerações que sistematicamente se deparam com uma sociedade na qual eles não têm vez, direito à dignidade, salvo raras exceções. Ele desenvolve um projeto chamado Arte e Educação no complexo da Maré, nas comunidades Nova Holanda e Timbau. Apesar dos territórios possuírem facções diferentes, ele afirma que tem todo o respeito e acesso, já que os traficantes de ambas têm a esperança de verem seus familiares seguirem outros caminhos que não os deles.

Para Manoel, esses jovens não têm noção de onde vêm essas drogas e se tornam massa de manobra barata numa guerra feita por um arranjo econômico no qual são inseridos. “Eles se matam sem ter consciência desta história”, diz o Mestre. Suas perspectivas são a morte ou a prisão antes dos 20 anos a serviço do sistema capitalista brasileiro, cujos mecanismos há pelo menos duas décadas reproduz o genocídio das camadas populares predominantemente negras. Para o mestre, “é preciso resgatar os valores, inserí-los numa história que vem lá atrás e está relacionada aos fatos de hoje e não é isso que o sistema capitalista brasileiro quer. Não querem que a gente abra os olhos do povo”.





Por isso ele afirma que seu trabalho é de militância, “um movimento político, pedagógico, com uma linguagem crítica” na qual ele busca dar identidade aos jovens apresentando-lhes caminhos distintos dos que são praticamente induzidos e/ou condicionados nessas regiões.

Os afro-descendentes até hoje são mortos e explorados, mas sob maneiras sofisticadas, sobretudo econômicas, numa sociedade cada vez mais corrupta e desigual.

O mito da democracia racial que camufla o preconceito permanece e os meios de comunicação o sustenta. O exemplo do Rio de Janeiro é emblemático, a polícia carioca é a que mais mata (sobretudo negros) e morre no mundo. A abolição no Brasil até hoje não passa de palavras mortas, pois a repressão e o preconceito aos negros perpetuam-se através dos costumes.

Capoeira foi considerada patrimônio cultural do Brasil
O professor de Cultura Afro-Brasileira da Facha, José Roberto Silva, ressalta a importância da África e da capoeira em nossa cultura.

“A capoeira fez surgir no continente americano a alegria e a gestualidade com o movimento do corpo dentro de uma cultura que se forma até hoje através do sincretismo de três etnias. É uma forma de expressão passional e alegre, arte e ritmo que contagia, e que atravessou todas as vicissitudes do Brasil”, comenta.

“A gente tem que parar de ser copiões, é a cultura popular que vai trazer novas condições para acrescentar substância à nossa identidade”, acrescenta.





Para o Mestre Manoel, vivemos num “país que foi saqueado, violentado, estuprado, e isso não está claro nos livros didáticos. Hoje somos o terceiro mundo sem que as pessoas contextualizem os fatos, nossa população é educada para ser racista e machista, ela reproduz e desenvolve isso e as nossas leis ainda são as formatadas pelos nossos opressores. Nossos valores nos são negados, o povo sem educação, sem cultura, continuará sendo escravo”.

Tudo isso ele busca passar para seus alunos, a jogarem não só na roda de capoeira, mas também na grande roda da vida para “mostrarem que são inteligentes, que sabem pensar, lidar com o tempo, e equilibrar os elementos positivos e negativos criando um jeito para sobreviverem”. Seu grupo já tem multiplicadores na Alemanha e na França, Brasil afora, e se concentra mais nas comunidades do Rio de Janeiro.





Neste ano a capoeira se tornou patrimônio cultural do Brasil, mas os mestres continuam sem reconhecimento, trabalham anos e não possuem nenhuma seguridade social.

Lá fora a capoeira é valorizada, antropólogos vêm aqui estudá-la, mestres e alunos brasileiros estão ganhando dinheiro em outros países, enquanto aqui o país insiste em não valorizar a si e seguir a procissão do mercado internacional.

É mês da consciência negra e da cultura, mês de reverenciar a nossa história, e de homenagear não só a capoeira Angola, mas todos aqueles que lutam pelo reconhecimento da riqueza singular da cultura brasileira.

20/11/08

O Giro do Camaleão

Conto de Derek Corrêa, aluno do 5º período da FACHA

Acordo todo descabelado, meus membros ainda estão meio cansados, levanto aos poucos e olho o relógio, ainda estou sentado na cama, o rádio relógio está a mais ou menos dois metros de mim, vejo que são 12:12 A.M, digo para mim mesmo: “Droga, mais uma vez horário repetido, e eu odeio isso!”. Agora levanto de um salto só, me olho de relance no espelho e no pouco que não queria me ver, percebo que meu aspecto está de ressaca, embora eu não tenha bebido no dia anterior. Ligo o meu rádio e deixo o CD rolar, como sempre está tocando algo alegre, algo que só eu entendo e que me faz sentir menos depressivo de manhã, tarde e noite. Começo a arrumar o meu quarto, saio, vou para a cozinha descalço e ajeitando minha roupa amassada, abro a geladeira, mas como sempre nada me vem em mente, e de costume pego um copo d’água e volto para meu quarto, sento e fico a escutar o término do CD. Já fez meia hora desde que acordei e nada de bom começou para o meu dia, que em minha concepção deve ser melhor que o dia anterior. Acabado o CD, desligo o som e vou dar uma volta pela casa, só para ver como as coisas estão. Minha irmã foi para a escola e mesmo sabendo disso abro a porta de seu quarto só para sentir sua presença, depois vou para o quarto ao lado onde minha tia dorme, mas ninguém está lá, mais atrás o quarto de minha prima, com a porta aberta percebo que também que não está, e assim volto para cozinha, mas paro e percebo que ainda não fui à sala, sento-me um pouco no sofá, olho para o nada e assim vou para a janela que dá em direção à rua, olho por uns minutos para a calçada, mas sem nada de bom em vista volto andando calmamente para o meu quarto. Deito-me novamente e de braços cruzados sobre a cabeça olho para o teto e tento esvaziar minha mente, mais do que já está. Olho para o computador que fica ao lado de meu rádio relógio, olho para a minha tevê que está ao lado do computador e mais uma vez olho para o rádio, que fica na ponta de tudo, ao lado da tevê, no cantinho do meu quarto e bem colado com o lado da cama onde ponho a cabeça. Ligo-o novamente para me alegrar, penso: “Que saco de vida, se não fosse pela música...”.
Deixado o tempo passar. Já entardecendo e com todos em casa, eu ainda estou no meu quarto, mas agora com a presença do meu pai vendo televisão e minha irmã no computador. “Pelo menos não estou sozinho”, penso. A noite quando todos já estão dormindo, levanto-me e vou para o meu refugio da vida, não é a música, nem o computador, muito menos a televisão, nada, só eu e as estrelas, sendo uma delas minha mãe no céu. Eu sempre penso que a estrela mais brilhante do céu é minha mãe, e sempre está presente quando preciso. Este meu refúgio, é a garagem do meu prédio, não uma garagem comum, é a minha garagem, certa que também ela é aberta. O prédio tem poucos andares então não precisa de uma garagem subterrânea, é fresco e dá até pra sonhar lá. Pelo menos são os segundos que penso em algo próspero que pode acontecer no dia seguinte, segundos, pois o que me expulsa de lá é o tremendo frio que fica ao anoitecer.
É nesse exato momento que me bate o seguinte pensamento: Que nem sempre a música é meu consolo, muito menos a segunda opção que seria os amigos, e é olhando para a estrela da minha mãe que eu percebo que sempre tem alguém neste lugar para me fazer feliz, não só fisicamente, mas espiritualmente, sempre teve e sempre terá, mas quando me pergunto quem é ela, sempre me bate o friozinho na barriga, volto para meu mundinho e vou dormir em paz.
“De mudanças que vive o camaleão, girando e perambulado pela vida, tentando achar o seu habitat ideal, assim como eu.”
E quando eu cair no sono e finalmente dormir, lá está o telefone a tocar e ela a me chamar. Sonho? Não, agora é realidade, e eu estou nessa para embarcar.
“Se para eu dormir é como desistir, deixe-me acordado, pois não quero sonhar nunca mais”.

18/11/08

Novo livro na praça: "Aconteceu na Manchete"

Foto: Ana Helena Tavares
Reconhecem o M no livro em cima da mesa? José Esmeraldo Gonçalves (organizador do livro) e Maria Alice Mariano (uma das autoras) estiveram na FACHA ontem, 17 de Novembro, visitaram a redação do Jornal Laboratório (foto) e palestraram para uma turma de alunos contando histórias deliciosas de um tempo em que o que acontecia virava manchete. O livro é imperdível.

14/11/08

Exclusivo: Alberto Dines no Jornal Laboratório

Foto: Camila Camacho
Na terça-feira, dia 11/11, o jornalista Alberto Dines chegou à sede da TV Brasil para a gravação do programa "Observatório da Imprensa", do qual é o criador e apresentador, sentou-se no hall, folheou o JL e concedeu entrevista exclusiva para a próxima edição.

07/11/08

O incêndio do Jornalismo

Foto: Ana Helena Tavares
Texto: Ana Helena Tavares

Duas horas e meia de palestra que na mão de Coppola dariam um belo longa-metragem sobre imprensa. Foi o que se viu ontem, 06 de Novembro, na Casa de Ruy Barbosa, com a presença do jornalista Dênis de Moraes, ministrando a palestra "Outros Jornalismos, Outra Comunicação", parte da série "Pensar a Imprensa".
Numa tarde chuvosa, um auditório praticamente vazio, ocupado por bem menos da metade de sua capacidade, assistiu a momentos de puro fascínio: o tão falado fascínio do jornalismo. E Dênis de Moraes conhece como poucos esse fascínio: como repórter, praticou-o com competência e intensidade; como acadêmico, teoriza-o com lucidez e paixão. Paixão resumida pelas palavras: "Hoje o jornalismo e os jornalistas não são temas propriamente do meu trabalho mais imediato, mas são muito mais importantes do que isso, porque fazem parte do meu coração. E se estão presentes no meu coração, estão presentes nas minhas aulas, nos trabalhos que eu faço, nas orientações que eu dou e etc., etc., etc... É um incêndio permanente, íntimo e maravilhoso, que acontece com todos os jornalistas, e que nos meus 54 anos ainda não se apagou. Uma das coisas de que mais me orgulho na minha vida é a minha graduação em jornalismo."
Dênis, porém, tem consciência dos "apagões" na área e frisou: "Há hoje em dia uma espécie de deformação nas nossas academias. Por mais paradoxal que pareça isso, nos meios de comunicação e nas próprias faculdades se fala cada vez menos da imprensa." Um dos fatores a que ele atribuiu isso é a despolitização do meio universitário: "Percebo isso com grande pesar", disse.
Criticou ainda o grande número de docentes que chega ao magistério para dar aula de jornalismo sem nunca ter exercido atividade prática na área, ficando num plano puramente teórico. Para ele, essa também é uma das causas de se discutir tão pouco os meios de comunicação onde se formam comunicadores: "São professores que não tem aproximação com a realidade concreta e objetiva. E me parece que essa é uma realidade muito necessária para as percepções sobre comunicação", afirmou.
Foi uma aula magna, carente de alunos.

06/11/08

E a tortura deu lugar à educação...


A filmagem foi feita pela aluna-repórter Ana Helena Tavares durante a palestra "Outros Jornalismos, Outra Comunicação".

04/11/08

Jornal Laboratório - Setembro em jpg







03/11/08

Capoeira Angola: Origem, História e Filosofia

Capoeira é destaque no Dia da Cultura e Ciência

O dia 5 de novembro é a celebração do ''Dia da Cultura e da Ciência'' em todo o país. E com o intuito de manter viva e estimular a memória dos alunos das Faculdades Integradas Hélio Alonso, o Grupo de Capoeira Angola, Centro Ypiranga de Pastinha (CYP), um movimento de preservação da cultura afro-brasileira existente há 10 anos, realizará, com o apoio do Núcleo Artístico e Cultural da Facha (NAC) no Campus I, palestra no turno da manhã sobre a Capoeira Angola, com início às 9h30min, e participação do professor de Cultura Afro da Facha, José Roberto e Roda de Capoeira Angola, com início às 20h20min.


Centro Ypiranga de Pastinha, há 10 anos investindo em cultura

O Centro Ypiranga de Pastinha é um projeto social do Complexo da Maré que é pioneiro no trabalho de capoeira Angola com crianças e adolescentes, no Rio de Janeiro. O projeto, que consiste em conscientizar e socializar seus integrantes na contribuição da cidadania, existe há dez anos e está presente também nas comunidades de Campos Elíseos (Duque de Caxias), Piabetá e Serrinha (Madureira, com quem tem uma parceria com o Jongo). Na Europa, o grupo está presente em Paris e Toulouse (França) e Madri (Espanha). Este ano o grupo fez o lançamento nacional de seu CD/DVD – “Vem jogar mais eu, meu irmão!”, reunindo em sua sede todos os membros do grupo (internacional e nacional).
A capoeira é uma manifestação cultural brasileira legítima desenvolvida por escravos africanos vindos ao Brasil e um patrimônio imaterial registrado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde o dia 15 de Julho de 2008.

Pensar a Imprensa, QUINTA-FEIRA, DIA 06


O amor, a morte (réquiem)

Conto de Derek Corrêa, aluno do 5º período de jornalismo da FACHA.

Ele, sentado no quarto, desejando algo acontecer, tentando ver o dia amanhecer sem ao menos perceber que, estava só. Pega seu carvão e começa a escrever.

Primeira nota em seu quarto: Amor, era o que escrevia na parede de seu quarto. Escrevendo aquilo ele já não se sentia sozinho. Criando um mundo imaginário, assim ele criava a atmosfera de um lugar em seu imaginário, onde só ele saberia o que era felicidade. Pensava estar escrevendo, depondo sobre a sua vida rudimentar. Fazia assim uma sinfonia em palavras batidas, repetidas, onde, saberia, estaria ligado dia-a-dia.

Uma floriculturista estava próxima, era amiga de vivência do tal garoto. Sempre que ele passava por ela a cumprimentava, mas nada de consumir. Pra quê ele iria querer uma rosa? Uma margarida? Não tinha a quem dar. Ele escrevia, e muito, lia bastante também, mas nunca havia se relacionado ou tido contato – a não ser superficial. Com pessoas do sexo oposto ou mesmo com o mundo – de que tanto falava sobre. Ele era um poeta solitário, sem família, sem estudo rígido, era ele e o mundo, só.

Nas noites mais solitárias e frias ele escrevia, sobre a vida e a morte. Mas ao menos tinha noção do que seria.

A floriculturista o cultuava; como uma pessoa séria, com todos os prazeres a serem servidos a uma donzela.

Ele sorria e vivia, ou melhor, existia, perante toda aquela situação.

Um dia ela virou para ele e lhe indagou:

- Nunca comprarás uma flor?

- Não, acho que nem para mim mesmo – ele revidou.

- Mas você acha que nunca terá, mesmo que singelo, amor para dá-la?

- Não – ele fechava o cenho e continuava a andar.

A vida não era fácil. O lagarto – último livro que lera, falava sobre o último ser vivo no planeta, ele pensava que era igual com ele. Ninguém nunca pensaria igualmente a ele e isso o fazia um dentre todos. Um último ser vivo no planeta.

As palavras já transitavam por todos os cantos de seu recinto. Dezenas de frases soltas desde o teto até o rodapé do quarto. Milhares de alucinações noturnas, centenas de filosofias das madrugadas. Ele precisava fazer algo com sua vida.

Nas últimas semanas, uma parte de sua parede se tornou especial para ele e seu pedaço de carvão, com o qual escrevia. Ficava nela por horas a esfregar o toco para cima e para baixo como um doente mental. As frases da floriculturista o perturbavam cada vez mais.

Um copo de vinho, uns livros soltos pelo chão e um cinzeiro cheio. Ele dormia no piso gélido.

Toda segunda tinha feira perto de sua casa e ele sempre encontrava aquela mulher que subjugou sua criatividade. Estava empacado em uma frase que não sabia com o que combinar.

Decidiu comprar uma rosa. Só para esfregar na cara dela. De cabeça baixa pediu por uma rosa e quando ela o reconheceu ele saiu andando.

Estava lá, no centro de seu quarto, bem cuidada dentro de uma jarra de vidro.

Cala a boca! Gritava com as paredes que pareciam lhe ouvir. Você não sabe de nada!, continuava. Se olhava no espelho e via alguém que não reconhecia.

Tocava uma música alta em seu quarto, mas não tinha ninguém para ouvi-la. Ele estava na sala olhando para o lado de fora do mundo. Com um copo de café e de meias. Acabara de acordar. Revolveu que esse dia não ficaria em casa. Não podia. Caminhando em passos largos pela orla ele encontrava um garoto chorando pelas ruas com um celular em mãos. Vai ligar para a namorada, pensou enquanto o observava de longe. Ele estava com a rosa em mãos e a largou, prensando-a no peito do garoto. Faça alguém feliz, ingênuo, o disse ao passo de continuar a andar sem ao menos lhe fitar nos olhos.

Em seu quarto, ainda vazio, tocava música clássica para ninguém, ou para um espírito que pairava por lá. Talvez o do espectro do poeta morto que ele havia deixado para trás.

O garoto ingênuo que chorava na praia dera a rosa para uma ruiva, a mesma que após três dias chorando perante a rosa – que em momento sequer saíra de sua mesa de centro. Fora jogada pela janela; com vaso e tudo.

Começava a surgir palavras embaixo do amor: vida!

Um vaso vazio refletia a figura de um poeta inquieto no centro de seu universo. A música no local já tocava tão alta que os vizinhos começavam a reclamar.

Duas semanas e uma noite foram o tempo suficiente para um garoto achar a rosa murcha perto do bueiro. No momento chovia e ele discutia, perto do mar, sua relação com a ex-namorada. Ela o ignorava e fazia gestos de querer ir embora. Lhe tascara um beijo repentino após uma conversa inusitada entre os dois.

Nessa mesma noite o garoto saiu do quarto, nessa mesma noite o garoto ingênuo voltou ao local onde havia dado sua primeira rosa. Nessa noite seis almas se encontraram.

Com um taco de carvão em uma de suas mãos ele corria na chuva, repensando sobre toda a sua vida. Corria e corria sem qualquer destino. Do outro lado da cidade dois garotos se entreolhavam, um com uma rosa nas mãos e outro andando para alguma direção. A garota, na chuva se virava e ia em direção a um taxi que parara. Um maluco entrava desvairado na portaria de uma residência na orla e ia subindo pelas escadas, com o porteiro do prédio o segurando pelas pernas. Três pessoas sorriam e choravam ao mesmo tempo nessa noite. Três almas tiveram o mesmo pensamento: “Nunca escrevi para você, só para mim, isso me torna eu.”. Choravam por que não entendiam. Um filme passou na cabeça do garoto que corria, de imediato ele largou o toco de carvão no chão.

Um homem, forte com seus amigos, assim como um animal feroz com uma presa, ria da vida. Se sentia confortável mediante sua boa companhia, parecia até mesmo feliz. O tempo passava nesse filme e o garoto ia se excluindo dos amigos, havia agora uma mulher. Ele se fechara um pouco e os outros entendiam. Estava seguindo outro rumo, mas às vezes ele não parecia tão confortável como antes e mesmo um predador até. Parecia mais que ele tinha um confinamento com aquela alma bonita que o rondava. Ele ficava velho e se apegava mais a ela. Os dois casavam, tinham filhos, ele via pouco seus amigos. Trabalhava agora, sustentava uma família. Vivia a chegar do trabalho e discutir com a mulher. No dia seguinte faziam as pazes e lhe dava algum dinheiro antes de ir para o trabalho. O filme parou nessa cena. Ele estava estático ao pensar nisso. Tentou imaginar um outro filme, agora protagonizado por uma mulher. Com várias conversas, várias mulheres, várias saídas. Ela conhecia um cara e o levava para conhecer sua família. Ele tinha que mudar todo seu comportamento para poder se adequar e ser aceito. Por vezes ele ficava por cima na cama e por outras ela quem comandava. Tinham filhos, mesmo depois de conversarem muito sobre isso. Se casavam e o desencadeamento já se sabe.

Nada muda, ele pensou consigo. Se indagando na chuva. Olhou para os lados subitamente e continuou a correr. Parecia por horas que se desfarelava na chuva torrencial que caia.

O garoto com a rosa se aproximava do táxi em que a garota ia entrar. Pare!, gritou alto para ela. Pare agora mesmo, continuava. Fique, cogitou.

- Fique mais um pouco.

O porteiro rolava escada abaixo e no décimo andar se escutava os passos do sapato do ingênuo que ia acordar uma ruiva aquela noite.

Na rua, sozinha e pegando muita chuva, a floriculturista encontrava com o garoto.

Esses momentos são transições entre o nada e o absoluto de alguma situação. Deveria parar quando começasse ou mesmo não existir.

No quarto as letras eram agora mostradas por completo, ao entrar uma luz pela janela, uma luz que teimava em acender em horas erradas. As letras não formavam nexo, mas expressavam por si emoções:

“Quem sou eu? Onde eu moro? Pra onde eu vou? Quem eu quero? Quem me quer? O quê eu desejo? Vida! Onde está a arte em amar?”

Nesse momento o garoto beijava a floriculturista.

A rosa novamente caía no chão. Choros se davam ao se abrir a porta de casa. Um tapa na cara. Dois tapas na cara. Um não e o garoto voltava para a casa.

A ruiva já tivera chorado antes de lhe baterem na porta. Recebeu de visita um tapa na cara e um xingamento ”Prostituta!”. Na chuva, uma rosa era pisada e um garoto segurava a mão no rosto. A garota ia embora para casa. O garoto ia embora para casa; os dois iam embora para casa.

Após falar não ao beijar a floriculturista ele já não agüentava mais, tinha que ter feito aquilo. Agora estava em paz. Ingenuamente o garoto pegava a rosa amassada do chão e se virava. Puxava a garota pelos braços e lhe tascava um beijo romântico, por fim lhe entregando a rosa e ficando com o cenho fechado diante dela.

No apartamento o garoto tomava, enfim, coragem para dizer a verdade para a ruiva.

- Pegue suas coisas. Vou te levar para casa – ela não pensou duas vezes. Com a mão no rosto ainda ela se adentrou pelas penumbras de seu apartamento para pegar suas coisas.

O garoto chegava em casa. Olhava para seu quarto e começava a quebrá-lo. A música não havia parado de tocar desde que saíra de casa. Batia em tudo que era móvel, chutava tudo. Com o quarto já em frangalhos ele pegou um pedaço de carvão que ainda tinha e finalizou a escrita que tanto lhe perturbara.

- A morte – falava enquanto escrevia a mesma palavra. Finalizou com uma frase: “Você precisa fazer isso com alguém”.

Você não conseguirá sozinho.

Obs: Este conto faz parte de uma série entitulada "As Sinfonias do Amor", da qual é o encerramento. Os outros dois chamam-se, respectivamente: "Rosa Murcha" e "Queen". Para quem se interessar, a trilogia completa está disponível no blog Espelho da Sociedade, onde o autor publica seus textos.

23/10/08

1968 - O ano que não acabou

Foto: Pedro Jardim


A palestra “1968 – o ano que não acabou”, que abriu o evento “1968 – uma liberdade com expressão”, foi realizada em 20 de outubro, segunda-feira, no auditório da FACHA – Campus I, contando com os palestrantes Regina Zappa, Ernesto Soto e Joel Pizzini. Nela, foi relembrada a importância do ano de 1968 e por que ele ficou na história.



Quando ser realista é exigir o impossível

Texto: Ana Helena Tavares

1968: Um ano em que se lutava com todas as forças contra o autoritarismo e se buscava transformação. Transformação dentro das universidades; uma luta pela quebra do distanciamento aluno-professor. Transformação de todo o sistema educacional; uma luta contra o ensino pago. Transformação da vida; uma luta por mudá-la, não por tomar o poder.

Dentro de uma ditadura militar que estava no auge, o movimento estudantil fervilhava. A cavalaria militar na rua era alvejada por centenas de bolas de gude. Cada um lutava com as armas que tinha e, mesmo quem não as tinha, “fazia a hora, não esperava acontecer”. Foi com esse espírito que estudantes reuniram-se clandestinamente naquele que ficou conhecido como o “Congresso de Ibiúna”, no qual todas as lideranças estudantis presentes foram presas.

A realidade do Brasil de 1968 era um sistema bipartidário: o MDB, conhecido como o “partido do sim”; e a Arena, o “partido do sim-senhor”. A censura calava vozes, cerrava cortinas de teatro, escurecia telas e escolhia letras a serem impressas. Mas, muitas vezes, a proibição aguça a criação, e não se conseguia proibir tudo.

E nesse ano, tão marcado pelo paradoxo, é interessante observar que nunca houve no Brasil um diálogo tão grande entre as artes. Havia um sentimento cultural no ar. Um vigor artístico sem precedentes.

As celebridades naquele momento eram os expoentes da cultura. Se muitos dizem que “hoje somos apenas ‘caras’”, naquela época as celebridades de fato tinham algo a dizer – não eram vazias. Tinham conteúdo e consistência.

Foi um tempo, enfim, de humanismo. O movimento feminista (inserção da mulher no mercado de trabalho), os direitos dos homossexuais, a militância pelo meio-ambiente, a luta pelos direitos civis e as muitas lutas de esquerda foram algumas das causas que ganharam força em 1968.

Um ano em que se fazia a hora sabendo-se o alto preço que isso poderia custar – a liberdade e talvez a vida. Em meio a um descontentamento geral com o mundo – e mesmo sem saber qual pôr no lugar – “comprava-se” esse preço.

O que importava era a utopia. Sonhava-se em chegar a “lugar nenhum” para a partir daí ser criada uma nova realidade.

17/10/08

Gabeira e Paes debatem no Odeon

Texto: Ana Helena Tavares

Os candidatos à prefeitura do Rio, Fernando Gabeira e Eduardo Paes, participaram ontem de um debate, no Odeon, e o Jornal Laboratório marcou presença, cobrindo o evento. Segundo os próprios candidatos, este veio a ser o nono debate da campanha até o momento, sendo que eles ainda têm pelo menos mais cinco agendados. E demonstraram estar gostando disso, pois ambos fizeram questão de afirmar com veemência a importância da realização desses debates. O evento dessa vez foi promovido pela Folha de S. Paulo e manteve um bom nível. Não houve nenhuma troca direta de ofensas e pode-se dizer que o clima entre eles era bastante leve. "A música de campanha do Gabeira é mais 'chiclete'. É aquela que gruda mais.", afirmou Paes. "Eu tenho uma droga que eu ainda uso muito que a fórmula é H2O", disse Gabeira. Duas falas que exemplificam bem o tom até certo ponto descontraído do debate. Estranhamente, o mais impaciente no palco do Odeon era o mediador, um impulsivo jornalista que, muitas vezes de forma grosseira, interrompia os candidatos o tempo todo, tendo sido altamente vaiado. Abaixo, segue a posição que os candidatos apresentaram sobre assuntos distintos relacionados à cidade do Rio:

Foto: Ana Helena Tavares
- Como vai nossa cidade?
"O Rio vive momentos de crise se nós compararmos com o país. Na verdade, as metrópoles crescem menos que o país. O crescimento muitas vezes se dá nas áreas de produção agrícola e nas metrópoles vai se concentrando uma boa parcela da população mais pobre. Uma exploração mais eficiente do nosso enorme potencial turístico é uma das muitas saídas que eu vejo pra isso."

- A questão do lixo:
"A solução para o lixo no Rio de Janeiro seria suburbana? Não é minha posição! Seria urbana? Não é minha posição! Seria metropolitana? É minha posição! Estar em contato com vários prefeitos - o prefeito de Nova Iguaçu, sobretudo - para colocar o lixo também lá. E, fora isso, atualmente nós não separamos o lixo; ele é simplesmente jogado na Zona Oeste. Nós precisamos estimular a indústria de reciclagem, que já existe." (Fernando Gabeira)




Foto: Ana Helena Tavares
- A superexposição do Rio na mídia:
"Eu tenho uma visão otimista da cidade. Eu tenho a convicção e a certeza de que essa cidade é viável, de que essa cidade é possível. Não acredito que haja nenhum complô da imprensa contra a cidade, como alguns dizem. Eu acho que essa é uma cidade que se discute, essa é uma cidade que não deixa as coisas passarem passivamente. E eu acho que isso é bom."

-
O crescimento das favelas:
"
Pretendo buscar junto com o presidente alternativas para as populações mais carentes, pegando áreas do governo federal na Zona Norte, já com infra-estrutura urbana própria que permitirá um conjunto de ofertas pra moradia das classes mais baixas, contribuindo pro desenvolvimento social. E acho que a cidade não pode aceitar novas ocupações irregulares, tem que ter uma política habitacional séria. " (Eduardo Paes)






16/10/08

200 anos da Imprensa X 200 anos do Banco do Brasil

"Só a pequena imprensa teve a coragem e a possibilidade de discutir esse aniversário que não houve, esse aniversário invisível, clandestino. Essa comemoração engolida. Algo extremamente desagradável e doloroso. E nós somos obrigados a comparar, né... Jornalista trabalha com evidências. Então, nós tivemos os 200 anos da imprensa brasileira que deveriam ter sido comemorados no período Maio/Setembro deste ano e que foram esquecidos. E nós tivemos os 200 anos do Banco do Brasil, que são questionáveis, e que, com o dinheiro do contribuinte - nós - foram compradas primeiras páginas a preços fabulosos. Páginas que, inclusive, não traziam nenhum mergulho na história, quer dizer, bobagens. Ainda se comprassem as primeiras páginas pra contar a história do Banco do Brasil, mas não... Bobagem comercial, marketing puro. E com dinheiro nosso às custas de esconder a nossa história. Observar isto foi uma das coisas que mais me perturbou na minha vida profissional, eu diria. E olha que, em 1954, quando Getúlio se matou eu já era jornalista."

A declaração é do jornalista Alberto Dines e foi gravada pela aluna-repórter Ana Helena Tavares, terça-feira, 14, na Casa de Ruy Barbosa, durante a palestra "Uma Imprensa sem história", parte do evento "Pensar a Imprensa".

A história da criação do "Observatório da Imprensa", por Alberto Dines



A filmagem foi feita pela aluna-repórter Ana Helena Tavares durante o evento "Pensar a Imprensa". Apesar de a imagem ter ficado um pouco tremida, devido aos fluxo de pessoas no local, o áudio está excelente e garante uma verdadeira aula de jornalismo.

15/10/08

1968, Uma liberdade com expressão. Não percam


O Brasil em evidência

13/10/08

Começa o ciclo "Comunicar Imprensa"

Começou o ciclo Comunicar, que reflete sobre as relações com a Imprensa. Quem quiser maiores informações é só entrar no site: http://www.nosdacomunicacao.com/

Seminário do Banco do Brasil discute 200 anos de comunicação

O Banco do Brasil vai realizar, entre os dias 15 a 17 de outubro, o XIII Seminário de Comunicação Banco do Brasil, com o tema central: "Fatos e reflexões sobre dois séculos de comunicação no Brasil". O evento acontece no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com mediação do professor Carlos Chaparro (ECA-USP).

A abertura do evento acontecerá no dia 15, às 19h, com o credenciamento tendo início às 18h30min. Nos demais dias, o Seminário terá início às 9h30min, com encerramento marcado para 18h15min. Os profissionais de comunicação interessados em participar podem se inscrever pelo endereço eletrônico imprensa@bb.com.br, e mais informações podem ser obtidas no telefone 61.3310-5467.

O evento terá os seguintes painéis: "a comunicação brasileira desde a chegada da família real"; "comunicação corporativa como agente da história das empresas", "marketing cultural e esportivo: importância histórica para a imagem empresarial"; "transformações editoriais que marcaram a imprensa brasileira"; "as faces da censura na história da imprensa brasileira"; "as novas mensagens e linguagens da propaganda brasileira"; "jornalismo cultural e a relação com quem promove a cultura"; "nova regulamentação da TV por assinatura", e "novas tecnologias de comunicação e informação".

As palestras e debates contarão, entre outros, com José Marques de Mello, jornalista, escritor e professor da Universidade Metodista de São Paulo; Carlos Eduardo Lins da Silva, jornalista, ombudsman da Folha de S. Paulo e livre-docente em Comunicação da USP; Antônio Carlos Fon, jornalista, autor do livro "Tortura - A história da repressão política no Brasil" e vencedor dos prêmios Esso e Vladimir Herzog, e Raimundo Pereira, jornalista, diretor da revista "Retrato do Brasil", ex-repórter das revistas "Realidade" e "Veja", dirigiu os jornais "Movimento" e "Opinião".

A programação completa está disponível através do link: http://www.bb.com.br/portalbb/page251,138,5504,0,0,1,6.bb?codigoMenu=2363&codigoNoticia=12808

08/10/08

Alunos da FACHA participam de mostra livre de artes


O evento começa amanhã, 09 de Outubro de 2008, e é gratuito. Participarão os alunos: Luiz Henrique Costa, com sua banda "Coquetel Acapulco"; e Daniela Lima, que terá suas fotografias apresentadas em telão. A programação está disponível no cartaz acima e a mostra acontecerá no Circo Voador, na Rua dos Arcos, s/n, Lapa. Maiores informações: http://www.circovoador.com.br/mola/index.html

Washington Olivetto é destaque no Jornal Laboratório

07/10/08

Alberto Dines na Casa de Rui Barbosa

29/09/08

Quem é essa mulher?


Diariamente, seus textos e imagens atraem milhares de olhares curiosos. Atrevida? Uma fantasia? Ou ela está perto de você?

Saiba na próxima edição do Jornal Laboratório.

23/09/08

Exclusivo: Washington Olivetto no Jornal Laboratório


A aluna-repórter Ana Helena Tavares esteve ontem no lançamento do novo livro de Washington Olivetto. Na próxima edição do Jornal Laboratório, entrevista com o publicitário mais famoso do Brasil.

Enquete do blog com professores e alunos da FACHA: Por que a mídia não cobre as para-olimpíadas da mesma forma como cobre as olimpíadas?

"Posso ver várias razões para um tratamento menos expressivo que se faça. Primeiro é comercial, já que as para-olimpíadas não têm a mesma cobertura econômica que as outras recebem. Segundo, que o interesse do grande público é no sentido de ver as afirmações dos atletas não para-olímpicos, considerando os atletas para-olímpicos como se fossem uma subclasse atlética. Eu fico achando que o que eles fazem é muito mais difícil. A rigor, mereceriam uma cobertura igual, se não superior. Mas aí há interesses econômicos em jogo, como já falei, interesses corporativos. E suspeito que haja inconscientemente um grande preconceito da população. Então, por mais que as pessoas digam que admiram, etc., de alguma maneira recusam essa atividade como atividade plena do exercício esportivo. Entretanto, me parece que esses atletas para-olímpicos têm uma idéia de superação de limites, em muitos sentidos, muito maior que os atletas considerados olímpicos. Acho, inclusive, essa nomeação para-olímpicos já de alguma maneira discriminatória e excludente dentro desse processo. Talvez ela já rotule essa recusa que a sociedade tem desse tipo de atividade." (Aristides Alonso, professor de teoria da comunicação)

"Porque esse assunto é chato e ninguém quer ver a menos que sejam ligados aos para-olímpicos e eu não me interessaria em ler ou ver algo sobre este tema." (Antônio Carlos Gil de Oliveira, aluno de publicidade)

"Porque o público não tem o mesmo interesse. Se amanhã campeonato de bola de gude virar moda, a imprensa vai cobrir. Em alguns casos, ela até pode despertar o interesse do público para determinado assunto, mas depois de certo tempo não consegue sustentar este interesse se ele não for real." (César Costa, professor de técnica de reportagem)

"Até onde sei esse evento é relativamente recente e a cobertura tem sido considerável. Creio que, à medida que as para-olimpíadas crescerem, a cobertura irá pelo mesmo caminho. Assim foi com o volêi de praia, o futebol de areia, etc." (Fernando Conde, aluno de jornalismo)

"As emissoras só transmitem as para-olimpíadas por uma exigência contratual. Quem compra os jogos olímpicos tem que dedicar uma parte da programação aos jogos dos deficientes físicos. Claro que são magníficos exemplos de superação, mas a audiência é nenhuma. Daí a mídia televisiva dar espaço tão pequeno. Parece que o mesmo se repete na mídia impressa." (Gilson Caroni Filho, professor de sociologia)

"Acredito que a imprensa já esteja melhorando da própria 'miopia' com relação às para-olimpíadas. Já foi pior. O pior deficiente é o dito 'normal', pois a deficiência está no olhar torto de que vê um 'cadeirante'. A partir de Atenas em 2004, com a conquista da medalha de ouro para o Brasil, pela velocista Ádria dos Santos, o Brasil saiu de seu maior grau de 'miopia' da história: enxergar o outro sem diferenças." (Isabela Guedes, aluna de jornalismo)

"Tenho impressão que os veículos de comunicação não dedicam aos jogos para-olímpicos o mesmo espaço que dedicam aos olímpicos por conta da combinação de dois fatores: um relativo ao preconceito que ainda existe na sociedade em relação especialmente ao indivíduo com necessidades especiais e, por conta disso, os veículos de comunicação levam em conta esse aspecto no confronto com o chamado 'critério de noticiabilidade'. Ou seja, consideram que a noticiabilidade ou, em outras palavras, o interesse pelos jogos para-olímpicos não seria o mesmo que pelos olímpicos. Consideram, portanto, que parte das audiências dos públicos de TV, de jornal, etc., não teria muito interesse pelas para-olimpíadas graças a esse ranço que a sociedade tem em relação ao indivíduo com necessidades especiais. É claro que já é uma evolução a cobertura que tem sido dada - os jogos para-olímpicos de alguma forma têm sido transmitido por alguns canais, quando em outros tempos isso não aconteceria. Mas, ao mesmo tempo, ainda é aquém do que deveria. Idealmente é um evento esportivo de tanto interesse como os jogos olímpicos. "(Ricardo Benevides, coordenador do departamento de relações públicas)

"Acho que um dos fatores quem impedem a mídia de cobrir as para-olimpíadas como cobre as olimpíadas é o não interesse da grandes empresas em patrocinar esses atletas. Talvez se as grandes empresas tivessem esse interesse, a mídia fosse pressionada por elas a fazer uma cobertura e uma divulgação maior." (Karina Novaes, aluna de jornalismo)


Realização da enquete: Ana Helena Tavares.



20/09/08

Gilson Caroni cita Jornal Laboratório em artigo para a Carta Maior

Mainardi e a profissão mais antiga do mundo

Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

Gilson Caroni Filho

Há algum tempo, em outubro de 2005, o jornalista Renato Rovai advertia quanto aos riscos que o tipo de jornalismo praticado por Mainardi e outros articulistas de Veja trazia para a imprensa como instituição e o jornalismo como profissão. "Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso”. (Revista Fórum, outubro de 2005)
Em dezembro do mesmo ano, Olavo de Carvalho, em cruzada aberta contra o Observatório da Imprensa, afirmava que pelos critérios da esquerda, "o simples salário de jornalista profissional, tão limpo quando pago a esquerdistas, se torna uma espécie de propina corruptora quando vai para o bolso de alguém politicamente incorreto". O "esquerdista", subsidiado por uma tão onipresente quanto imaginária "Internacional Comunista", sempre atuante nos arrazoados do auto-intitulado “filósofo”, seria o jornalista Alberto Dines, editor do Observatório.
O "politicamente incorreto", o iconoclasta de estimação da família Civita era, obviamente, o polemista (?) Diogo Mainardi. É assim que Olavo costuma reorganizar as questões que o atormentam no campo das idéias: com simplificações e rótulos. É nesse marco que se processam suas “impagáveis abstrações.”
Passados três anos da publicação dos dois textos, o “oráculo de Ipanema”, em entrevista ao Jornal Laboratório da Facha (edição nº 23, julho/agosto de 2008), tece considerações sobre o que julga ser a natureza de uma categoria profissional. Confirma os piores temores de Rovai e, por conseqüência, esclarece as dúvidas “olavianas” sobre os critérios que definem o tipo de pagamento pelos serviços prestados por ela.
Lembrando da argumentação usada pelo pai do articulista, o publicitário Ênio Mainardi, para trocar as redações pela publicidade ("se era para ser uma prostituta, seria, então, uma prostituta de classe") os estudantes Daniela Lima e Diego Ferreira perguntaram a Diogo se ele se considerava uma prostituta no jornalismo. A resposta não podia ser mais categórica: “hoje, em dia, jornalistas e publicitários ganham a mesma coisa, saíram da Vila Mimosa para as ruas mais elegantes da cidade (...) Talvez seja essa a minha maior preocupação: ser menos prostituta possível”.
Não ficou claro se Mainardi produziu uma peça de péssimo gosto ou tentou esboçar análise de um novo projeto de construção da identidade do campo jornalístico brasileiro. Uma tosca tentativa de iniciar o debate sobre novas funções éticas da imprensa. Um processo que passa pela redefinição de como se dará a elaboração crítica da informação a partir de insuspeitas exigências da nova tecnologia.
Enquanto os especialistas não se debruçam detidamente sobre as questões levantadas na entrevista, uma coisa é certa: a distância entre Vila Mimosa, famosa área de prostituição do Rio de Janeiro, e a redação de conhecida revista semanal, na Avenida das Nações, 7221, em São Paulo, diminuiu consideravelmente. Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

18/09/08

Jornal Laboratório - Julho/Agosto em jpg

Para ler é só passar ou mouse nas imagens.









11/09/08

Jornal Laboratório - Julho/Agosto - Semana que vem na Faculdade


04/09/08

Seminário sobre Jornalismo na Casa de Rui Barbosa

Texto de: Eduardo Sá e Jean Oliveira
No dia 25 de agosto a Fundação Casa de Rui Barbosa recebeu em seu auditório o seminário Cultura e Memória do Jornalismo Brasileiro, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. O Jornal Laboratório marcou presença cobrindo o evento e na mesma semana entrevistou a presidente do sindicato.

Patrocinado pela Petrobrás e com o apoio de universidades, órgãos culturais e da Fundação Casa de Rui Barbosa, o seminário apresentou o novo projeto de preservação da memória de nosso jornalismo; indo desde a história do país até um espaço diferenciado de produção cultural. A mesa foi composta por diversos pesquisadores das mais renomadas instituições nesse campo e contou com a contribuição do presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, também jornalista por muitas décadas.

O acadêmico destacou algumas personalidades que fizeram história no jornalismo brasileiro, como Barbosa Lima Sobrinho, contou curiosidades do Jornal do Commercio, sobre o qual publicou um livro recentemente, e ainda criticou a imprensa contemporânea que para ele “está empenhada no modelo neoliberal iniciado no governo Fernando Henrique e muitas vezes o jornalista nem percebe que está contribuindo para a destruição do Estado nacional”.

Os historiadores destacaram as dificuldades enfrentadas em nosso país na área das pesquisas devido à falta de financiamento e por estarem quase todos os materiais atualmente em mãos de iniciativas privadas dificultando o acesso ao público. Ressaltaram a necessidade de análises que contextualizem os acontecimentos para que se chegue a um material de qualidade, apresentando retratos da realidade indo desde a situação sócio-política até a “cozinha” das redações. Foi consenso na mesa de que é preciso não limitar a pesquisa aos personagens emblemáticos, de forma a estender o trabalho indo desde a rotina dos profissionais até o aspecto econômico da empresa para as quais eles colaboram. De acordo com Fernando Lattman do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas isso constitui hoje um tabu na nossa imprensa, pois o setor financeiro das corporações são fechados a sete chaves.

A professora Marialva Barbosa da UFF afirmou que a história é retratada de forma apenas verossímil através de vestígios do que já passou, levando o pesquisador a apenas recortes de uma realidade já ocorrida. A inexistência ou falta de acesso ao material bruto das matérias, sonho dos pesquisadores, passa por uma edição representada de acordo com os interesses das empresas que as transformam em história oficial; essa é outra questão que faz parte da realidade dos pesquisadores e por eles foi levantada no seminário.

Entrou no debate também a cada vez mais acelerada evolução tecnológica que constitui outro desafio para a preservação, pois é preciso montar uma estrutura que contemple a imensa quantidade de informação que requer um custo muito alto podendo se tornar uma limitação para esse tipo de trabalho atualmente.
BOX
A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Suzana Blass, falou sobre o projeto do Centro de Cultura e Memória do Jornalismo.

Até agora vocês ainda não conseguiram um espaço físico para o projeto né?
A gente está tentando um lugar, o Sérgio Cabral quando estava recém empossado prometeu que iria nos ajudar a encontrar uma casa, de preferência na Lapa, dentro da sua revitalização cultural. Por que a gente acha que podia dar essa opção cultural ali, além do chop e do samba, fazendo um espaço que tenha livraria, café, cinema, um protótipo de estúdio de rádio e televisão, auditório. Tem um museu em Washington que é um espetáculo e exatamente o que nós gostaríamos de ter aqui, mas provavelmente não vamos conseguir por que não temos a grana que eles têm lá.

A falta de investimento...
Por exemplo, tem um tipo de serviço que você digita o dia que você nasceu e aparece num dos acervos todas as primeiras páginas dos principais jornais daquele dia; tudo digitalizado. E isso é um produto que você pode levar, presentear as pessoas...

Então o projeto vai ser algo mais amplo, não especificamente pesquisa como a microfilmagem da Biblioteca Nacional?
Não, é uma coisa viva. O acervo vai ser uma parte, nós não queremos fazer uma coisa repetida. A gente quer fazer um centro vivo de discussão do jornalismo, com a história do jornalismo, palestras, seminários, exposições, o questionamento constante do fazer jornalismo e para onde a mídia está indo; uma coisa viva mesmo. Por isso que é um centro de cultura e memória, a gente quer fazer esse espaço de discussão como por exemplo trazendo esses teóricos da comunicação, quando vêm ao Rio, para estudantes ouvirem e jornalistas os entrevistarem.

E como vocês vão fazer essa ligação com as faculdades?
A gente tem contato com todos os coordenadores dos cursos de jornalismo do Rio de Janeiro, então é só uma questão de fazer essa divulgação. O sindicato pode estar um pouco descolado dos estudantes por uma questão de falta de braço da gente e do afluxo dos estudantes ao sindicato. Se a gente fizesse uma comissão de alunos aqui seria super interessante, a gente tem espaço para isso, criar eventos e o espaço está aberto o problema é que vocês não vêm.

Como está nesse momento o projeto?
Essa primeira fase é a hora de definir como que vai ser, qual tipo de acervo vamos ter, quais as parcerias a estabelecer, que figura jurídica vai ser o centro por que tem que ser separado do sindicato devido seu tamanho. Até por que o meu mandato dura três anos e a gente está fazendo um projeto permanente, a idéia veio antes da minha gestão com o Aziz Filho. Queremos que seja um esforço coletivo com apoio da ABI, da ANJ, para beneficiar a categoria como um todo. Conseguimos o patrocínio da Petrobrás nesse começo, estamos buscando material, vendo como será a formatação do site, os links com as outras instituições... Esse seminário foi muito importante por que percebemos um vácuo no mercado nas relações de produção, com pessoas que não são os notáveis e acabam ficando esquecidas. É preciso pegar o depoimento de toda a cadeia de produção da notícia para estabelecer o processo e esse é um diferencial que a gente está querendo fazer. Pegar a história de como a categoria se organizou, como virou profissão, também por esse lado.

E o foco vai ser aqui no Rio ou vai se estender para outros estados?
O Rio foi Capital Federal, a história passou por aqui durante muitos anos, então quando você mexe com história ele está no centro. Eu adoraria fazer a história do Diário de Pernambuco lá, do Jornal do Commercio do Ceará por exemplo, mas não sei se teremos perna para isso. Tem entrevistas marcadas para a Carla Siqueira fazer com profissionais de São Paulo, do Ceará, no Sul, que contarão histórias da profissão e fizeram parte da categoria.
Então o eixo do projeto está no diferencial que ele vai apresentar frente aos acervos
É, por que às vezes essas personalidades já deram tantas entrevistas que acaba virando a mesma coisa. Por exemplo, não vale a pena termos a coleção de jornais do JB e do Globo, queremos ter mais discussões do que apenas um depositário de acervos. Está previsto no projeto fazer um chamamento à sociedade para trazerem material, essa primeira etapa deve durar um ano e meio tendo começado no começo desse ano. Quando estivermos com um imóvel vamos partir para a parte objetiva da implantação, tem arquitetos trabalhando, consultores culturais, e por isso envolve outros campos. Aqui no sétimo andar do nosso prédio faremos uma obra, dentro do orçamento aprovado pela lei Rouanet. Tem uma vigilância em cima disso pelo ministério da Cultura, há uma prestação de contas e estamos pensando em começar aqui no sindicato.

E já tem algo acontecendo?
Já tem depoimentos sendo colhidos, serão oitenta de início, e tudo irá convergir com o site inicialmente. Teremos uma sede virtual e depois livros publicados com as entrevistas e os acervos de jornal, rádio, revistas, famílias de jornalistas que têm um acervo excelente estão disponibilizando materiais... Não adianta a gente fazer o chamamento sem ter ainda o mecanismo de acesso com um programa de indexação relacionando todos os assuntos armazenados.

Evento: Caminhos da Imprensa no Brasil


22/08/08

Enquete do blog: O Brasil fez feio na Olimpíada?

"Sim. É decepcionante ver os atletas que tanto apoiamos ter um resultado tão ruim. Mas apoio e esperança não sustentam, não é suficiente. Falta investimento, incentivo e, lógico, um pouco de “pé no chão”. A cobertura jornalística foi, em muitos casos, esperançosa demais, o que gerou um sentimento no povo de que alcançaríamos ótimos resultados em tudo, mesmo que fosse no último segundo da partida...deu no que deu. (Clarissa Fernandes, Jornalismo)

“Sim, acho que poderia ter sido muito melhor. Mas acredito que a falta de incentivo foi o que levou o país a este resultado medíocre. A expectativa exacerbada piorou a situação, pois o povo esperou um resultado que dificilmente seria alcançado.” (Ronaldo Sanches, ex-aluno)

“Sim, mas acho que foi proporcional aos níveis de investimento e patrocínio recebidos. Os EUA e a China, que são os maiores medalhistas desta e de muitas outras olimpíadas, utilizam métodos diferentes mas de grande sucesso para alcançar bons resultados: investimento ou coerção. Enquanto a iniciativa privada brasileira não perceber o investimento no esporte como um “bom marketing”, não chegaremos a melhores resultados. Investimento é necessário para profissionalização.” (Ângelo Cuissi, 3º Período, Jornalismo)

“Não! Ganhou mais medalhas do que na olimpíada anterior, e a olimpíada ainda não terminou. No total geral de medalhas estamos melhor do que antes, estamos para trás em Ouro, mas ainda devem sair mais duas destas. Temos novas pessoas ganhando medalha. Pessoas que estão indo a olimpíada pela primeira vez. O vôlei feminino, acredito eu, que desencante, isso se elas não amarelarem. Acredito ainda, pelo o que eu tenho acompanhado, que o Brasil tenha sido o melhor na América do Sul.” (Fabio Teixeira, funcionário da biblioteca)

“Sim! Tínhamos condições de ganhar muito mais do que ganhamos. Reclama-se muito! A ginástica nunca teve tanto patrocínio e deu no que deu. Está certo que chega na hora e pode acontecer alguma coisa, pode não esta bem. Mas todo mundo?? E o vôlei de praia masculino, que entregou o ouro de bandeja no último set? Mal comparando, se olharmos para o Pan, a olimpíada foi vergonhosa! O Thiago Pereira decepcionou. O Jardeu decepcionou. O Fabiana deixou de conferir o próprio equipamento antes de competir! Acho que é muito desleixo por parte do comitê organizador, muita displicência.”. (José Luiz, funcionário da Reprografia)

“Não! Ainda não acabaram as olimpíadas, acredito em mais duas medalhas de ouro. Nossa delegação nunca foi tão numerosa. Os patrocínios estão acontecendo e as pessoas estão podendo levar a vida de esporte e não trabalhar por oito horas diárias e dois ainda ter que ir treinar. Levamos ouro onde não acreditávamos e baixamos a cabeça para perceber que não há certezas absolutas no esporte (com exceção ao Phelps). Acho que muitos se decepcionaram pela pressão de ter acompanhado o Panamericano tão de perto e acreditar que, aqueles excelentes resultados e refletiram nas olimpíadas, quando os número mundiais são melhores que os do Pan.” (Karina Rocha, Jornalismo)

"Sim. Porque até agora não ganhou o número de medalhas igual a da anterior". (Luis Manhens, 8º período de publicidade e propaganda).

"Não. Fez o que corresponde ao incentivo que tem. Para o incentivo que recebe, fez o que consegue." (Haline Santiago, 2º período de jornalismo)

"Não. O investimento no esporte no Brasil, assim como em quase todas as demais áreas, é mínimo. O desempenho do Brasil corresponde à preocupação que é dada ao esporte no país". (Thiago Oliveira, 5º período de jornalismo).

"Sim. O esporte que tem apoio (o futebol) fez feio, mas os outros fizeram o possível para trazer medalha, e a verba que eles recebem é muito pequena. O nado sincronizado só foram duas atletas, não a equipe completa". (Alexandre Duncan, Publicidade)

"Sim, pois não rendeu o que pôde render. Não entrou focado nas Olimpíadas, não entrou no clima, no ritmo para ganhar o ouro". (Bruno Luciano, Publicidade)

"Sim. Não acompanhei muito os jogos, mas acho que podia ter sido muito melhor, no futebol feminino, por exemplo, elas ficaram com a prata e podiam ter ficado com o ouro". (Gustavo Carvalho, Publicidade)

"Sim. Com o estardalhaço que fizeram por causa dessas Olimpíadas, eles tinham a obrigação de obter um resultado melhor – ainda mais com o suposto "melhor futebol do mundo", que deu um vexame hilário". (Érika Grijó, Jornalismo)

“Sim, muito. Pois eles exaltam demais (na maioria dos esportes), diz que vai fazer e acontecer, prometem mundos e fundos, que são os melhores, e na verdade não passa de promessa, de conquistas sólidas mesmo, ou seja, medalhas, trazem muito pouco. Nem assisto mais aos jogos, fiquei bastante frustrada, sem empolgação com o Brasil, tendo claro exceções, como exemplo o Cielo.” (Emília Viana, Jornalismo.)

“Sim, realmente. Apesar de não ser muito ligada em esportes, fiquei um pouco decepcionada, mas creio que isso se deva a pouco investimento que o país tem nos esportes de forma geral, poucas Empresas se comprometem a patrocinar, tendo os atletas poucos recursos, daí como chegar lá e ganhar o ouro?É necessário maior acompanhamento dos atletas, mais investimento neles.” (Carina Caetano, Relações Públicas)

"Sim. Porque é claro que falta pouco investimento nos atletas de forma geral, mas não é o único motivo, tendo como exemplo a seleção de futebol masculina, que tem tudo do bom e melhor, a Meca do esporte brasileiro, foi lá e fez vergonha, portanto a falta de investimento não é a única justificativa para o mau desempenho do Brasil nos jogos de Pequim, creio que o psicológico abala demais nossos atletas, mais do que devia, não que seja fácil, mas tomando como exemplo a ginástica olímpica, os atletas que competiram tem investimento e treino suficiente para brilhar nas competições, treinam todos os dias mais de 8 horas, porém chegam lá e cometem erros infantis, que não erram nem nos treinos, como o Diego Hipólito, que depois de perder a medalha, deu um depoimento dizendo que a última vez que cometera aquele erro tinha 15 anos. Para mim o pior inimigo do Brasil nessas Olimpíadas foi o psicológico, a cabeça dos atletas.”
(Ana Luísa Arruda, Relações Públicas)

“Sim. Penso que teve menor desempenho em relação aos outros países. Desta vez, todos voltaram com menos medalhas no geral”. (Marcos Azevedo, Funcionário da cantina da Facha)

“Sim. Acho que eles não alcançaram às expectativas que foram expostas para o público geral brasileiro. Nos esportes em que eram esperadas mais medalhas, como no vôlei feminino e no futebol masculino, não ocorreu. Isso, talvez, se deve à falta de incentivo que assola o esporte no Brasil. Eu particularmente acho que a ginástica olímpica teve uma boa campanha apesar do resultado ruim, isso porque eles tiveram apoio e incentivo com vários patrocinadores desde o final das olimpíadas passadas”. (Charles Monteiro, Jornalismo)

“Não. Afinal, com a falta de incentivo que todos nossos atletas sofrem, o mínimo que poderíamos esperar é uma campanha fraca com poucas medalhas. Mesmo assim, fomos surpreendidos por atletas que ao menos conhecíamos e que nos gratificam com força de vontade de perseverança”.
(Mauricio Sangama, Jornalismo)

“Não. Cria-se uma expectativa de que tem que ganhar tudo, mas não há incentivo ao esporte, logo, os atletas fazem o melhor que podem, mas infelizmente o brasileiro não se lembra dessa superação, e das dificuldades decorrentes da falta de apoio.” (Clarice Chalreo, Jornalismo da FACHA)

“Sim. As instituições não deveriam enviar delegações fracas para competições desse porte. Deve haver maior incentivo ao esporte, um preparo de anos para obter resultados. Isso é um vexame.” (Aline Araújo, estudante de Jornalismo da FACHA)

“Alguns atletas fizeram feio sim. O caso da seleção de masculina de futebol ao perder de 3 a 0 para a Argentina. A ginástica feminina não tem a mesma tradição que o futebol, e todos sabem do esforço das atletas e das dificuldades encontradas aqui no Brasil. Enfim, a resposta é relativa, uma questão de interpretação de visões de diferentes prismas.” (Alexandre Ferreira Matos)

"Sim. Os atletas brasileiros, ainda tem o pensamento mesquinho que o que vale é competir. É um senso comum da cultura brasileira, dessa forma, parece que eles se acomodaram. E o desempenho nessas olimpíadas está sendo decepcionante, desperdiçamos muitas medalhas" (Leandro Massaferri, Publicidade e Propaganda)

"Sim. Acho que tinha muita pressão nos atletas que foram para Pequim. Éramos favoritos em muitas medalhas, mas a maioria não conquistamos. E na verdade as duas medalhas de ouro que ganhamos, a gente não estava esperando. E os esportes que mais tinham chance de ganhar, como no vôlei de praia, e futebol não conseguimos. (Igor Marreiros, Publicidade e Propaganda)

"Não. Apesar do desempenho ter sido abaixo do esperado, nessas olimpíadas de Pequim o Brasil quebrou grandes barreiras, como por exemplo o Cezar Cielo que ganhou o ouro olímpico na natação, coisa que nunca tínhamos conseguido. O que na verdade falta é que os Atletas acreditem que são capazes, que treinam para conquistar o melhor lugar, e não se contentar com apenas participar e quebrar recordes. Contudo não podemos desanimar, afinal a Olimpíada ainda não acabou"(Giselle Borges, Relações Públicas)

"Sim.Acho que os atletas não foram para Pequim preparados.O Pan Americano é muito diferente das Olimpíadas.A concorrência massacra o Brasil.Aqui não há investimento no esporte,somente no futebol.Por isso atletas como o nadador César Cielo vão morar fora do país para se dedicar.Os esportes coletivos me decepcionaram,mas mesmo assim fiquei feliz com o ouro da natação e do atletismo e com o bronze do judô feminino". (Vivian Romanelli , Jornalismo)

"Acho que fez.O desempenho foi pior do que o da Olimpíada passada.Mas em compensação tivemos algumas revelações como o César Cielo e a Marren Maggi." (Mariana Teixeira , Estudante de Direito)

"Sim.Os atletas não estavam preparados .Acho que eles se dedicaram mais para o Pan Americano. A concorrência é brutal." (Ana Lucia Ferreira , empresária)

“Sim. Foi insatisfatório. Eu esperava mais da seleção masculina de futebol e da ginástica olímpica, por exemplo, e eles não trouxeram medalhas. Eu acho que se deve aos fatos dos atletas amarelar na hora H. Eu acho que estes times estavam se sentindo muito estrela, não teve muito entrosamento de se jogar como uma equipe”. (Pedro Jardim, Jornalismo)

“Sim. O Brasil fez feio, por falta de investimento tanto do setor privado, quanto do público. O futebol feminino no Brasil é excelente, mais o time precisa de incentivo tanto da mídia quanto do público brasileiro. Deveria-se adotar o modelo da China, adaptado a realidade brasileira. Lá por haver uma estrutura onde se incentiva o esporte desde do ensino, eles exploram cada modalidade esportiva, conseguindo pescar os melhores para a competição, há mais critério de escolha. Eu cheguei a fazer atletismo quando mais jovem na Vila Olímpica da Mangueira. Na época o esporte era patrocinado pela Xerox e pela Adidas, eles forneciam todo o apoio necessário para os treinos. Este modelo deveria ser usado como exemplo em todas as comunidades”. (Allan Geraldo de Aquino, Jornalismo)

“Sim. Eu acredito que o Brasil fez muito feio nas Olimpíadas, pois é uma competição não só esportiva, mais também de poder. O esporte é um sinônimo de poder, senão fosse, os Estados Unidos não estaria tão incomodado em relação à quantidade de medalhas de ouro que a China conseguiu nas competições. O brasileiro por natureza, por cultura, se sente inferior aos outros, acha que não tem competência para competir como os outros, não se acha o melhor. Nas Olimpíadas o que está em jogo é a vitória, o gosto de vencer, to be the best. Por isso, eu acho que os atletas brasileiros não deveriam se contentar apenas com o fato de poder ter competido, de ter participado, podendo servir até mesmo como uma questão de incentivo pessoal para vencer”. Fernanda Piano, Relações Públicas)

“Não. Porque ainda falta muito preparo e apoio aos atletas. Eles se esforçaram na medida do possível. Conquistamos algumas medalhas e acredito que estamos no caminho certo. Falta conscientização de toda a população e apoio de empresários e do próprio governo.” (Graziella Cardeal, jornalismo)

“Não. O Brasil fez bonito na natação, foi emocionante! Na minha opinião, as meninas do futebol também fizeram bonito e todos os outros atletas tentaram. Acho que só de chegar lá já valeu. Não podemos imaginar a pressão sobre cada um desses atletas.” (Dandara Sameli, publicidade)

“Sim. O Brasil já começou tão horrível que nem deu vontade de assistir mais. A única exceção foi a natação. Só fiquei ouvindo os comentários e vendo os noticiários o que me deixou cada vez mais decepcionado.” (André Sameli, empresário)

"Sim. Porque deixou de ganhar muitas medalhas, um país como o Brasil deveria ter um resultado melhor. Mas sabemos que isso não foi por falta de empenho dos atletas, mas do descaso que o governo tem com o esporte em geral, a falta de investimentos e recursos aumenta a dificuldade de ganharem, alguns não conseguem nem mesmo competir". (Elisabeth Menezes, publicidade).

"Não. Porque o resultado condiz com a realidade do Brasil, porque se não investimos no esporte, não podemos vencer. Todos deveríamos esperar que fosse assim, mas não foi feio, porque os atletas fizeram o máximo que puderam, a culpa não é deles". (Milena, publicidade e propaganda).

"Não. Porque o 33º lugar só foi alcançado pela garra e empenho dos atletas, porque com as dificuldades que eles enfrentam pela falta de investimento no esporte, o resultado deveria ter sido bem pior. Se quisermos uma colocação melhor, devemos agir para que o esporte brasileiro ganhe mais assistência e investimentos". (Cletienne Fernandes, Jornalismo).

Sim. Para mim faltaram os principais fatores para ganhar um campeonato como: raça, dedicação e vontade de defender a nossa pátria. O maior defeito do brasileiro é achar que tudo se resolve com aquele “jeitinho brasileiro”. (Taís da Silva Veturino, Jornalismo).

“Sim. Faltou seriedade, os brasileiros se acham muitos bons, acabam subestimando os adversários”. (Rodrigo Duarte, funcionário)

“Sim. Faltou incentivo, patrocínio, seriedade e raça. Os países de primeiro mundo ganharam porque levaram a sério”. (Robertson M. Alves, funcionário)

“Sim, 33° lugar é uma vergonha! Acho que faltou integração entre as equipes e deixou a desejar na força de vontade, principalmente no futebol masculino”. (Ariadne Monteiro, Relações Publicas).

“Sim, achei que faltou conhecimento dos adversários e chegaram lá sem saber o quanto deveriam ter se preparado.” (Gustavo Annechini, Publicidade e Propaganda).


“Sim, acho que se cria muita expectativa nos atletas brasileiros e tenho a impressão de que chegaram muito confiantes, a humildade é importante, junto com a pretensão e garra”. (Juliana Duarte Pereira, Jornalismo).


*Enquete realizada na sexta-feira, dia 15 de agosto, pelos alunos de Técnica de Reportagem (Turma T5E - Noite), em sala de aula, entre 19h30 e 22h20.

Equipe: Thiago Oliveira, Érica Grijó, Giselle Borges, Alexandre Mattos, Maurício Sangama, Vivian Romanelli, Fernanda Piano, Graziela Cardeal, Cletienne Fernandes, Taís da Silva Veturino, Juliana Duarte Pereira, Karina Rocha, Clarissa Fernandes.

20/08/08

Rádio Globo na FACHA Botafogo





A FACHA Botafogo recebeu ontem à noite o projeto que a Rádio Globo vem realizando há alguns meses nas faculdades do Rio de Janeiro. Segundo a organizadora, desde a estréia na PUC eles vêm se apresentando toda semana para contribuir na formação dos alunos e estimulá-los a ouvir a estação AM da emissora que não tem tanto alcance quanto à FM.

Trata-se do Globo Esportivo nas Universidades, onde os alunos têm a oportunidade de fazer comentários no programa do jornalista José Carlos Araújo, o Garotinho, junto ao radialista Luiz Mendes, ao vivo.

Um furgão da Rádio Globo estacionou no pátio da faculdade, onde os alunos viram de perto, muitos deles participando, como é feito um programa de rádio. O Garotinho falou várias vezes sobre a derrota da seleção brasileira para a Argentina nas olimpíadas fazendo coro, com o apoio de Luis Mendes e dos alunos, para a demissão do técnico Dunga.

O aluno João Guilherme, do 8º período, sentou-se ao lado dos radialistas e participou dando suas opiniões. A equipe aérea, com o repórter Genilson Araújo, sobrevoou a faculdade divulgando notícias e saudando os alunos e professores da faculdade que durante uma hora se envolveram com a transmissão.

Ao final foram sorteados diversos kits da Rádio Globo para os alunos que cercaram os radialistas pedindo autógrafos e tiraram fotos levando uma lembrança dessa experiência.
Texto: Eduardo Sá
Fotos: Pedro Jardim

08/08/08

Artigo




Situação dos moradores do Chapéu Mangueira não é aquela vista nos jornais
Eduardo Sá


A comunidade do Chapéu Mangueira tem passado por algumas dificuldades nos últimos meses segundo o relato de muitos jornais cariocas, dentre os quais, senão todos, somente descreveram o olhar dos moradores do bairro que é um dos mais nobres da zona sul do Rio de Janeiro.


Mas antes de entrar nessa questão vamos à identidade da comunidade. O Chapéu Mangueira começou a ser povoado por volta de 1900 e em torno de 1940 uma missionária francesa conhecida por Dona René, junto a Dona Marcela, os dominicanos e alguns moradores começaram a estruturar o ambiente. Tudo era feito à base de mutirão, um trabalho em conjunto estimulado por poucos líderes. A água era retirada de bicas coletivas e carregada em latões, os caminhos aos poucos e no braço foram feitos, um posto de saúde e uma creche foram construídos com os recursos que tinham e os que dispunham de uma instituição filantrópica do Canadá, eram eles quem as administravam, entre muitos outros fatos de uma vasta história de batalhas. Procedimento, talvez, realizado em quase todas as comunidades da cidade, na luta dia-a-dia sem o auxílio do Estado.


Segundo Gibeon de Brito, ex-presidente da Associação de Moradores do Chapéu onde mora desde a década de 50, “os líderes pensaram a comunidade a partir da saúde e educação preventiva apesar da pouca escolaridade e saúde de alguns deles. Gente que sem abandonar suas tradições de origem conseguiu se adaptar às tradições locais e ainda contribuir na formação de novas. Povo que não se permitiu que os preconceitos eliminassem a alta-estima que se fez”. Ele constatou na sua pesquisa para monografia do curso de arquivologia que a maioria dos moradores são de origem mineira e nordestina e, conforme o depoimento de moradores antigos, muitos deles foram operários na construção do bairro; hoje aqueles que moram nesses apartamentos os discriminam e marginalizam em recompensa.


Em 1966 fundaram na comunidade a Associação de Moradores que já vinha fazendo suas reivindicações informalmente. Mais ou menos nessa época o Estado começou a intervir arrematando, maquiando, aquilo que foi estruturado com muito suor durante anos. Chegou a luz, água encanada, pavimentação e esgoto cujo índice de inadimplência era baixíssimo em relação às contas que até hoje são pagas pelos moradores. Se não pagam IPTU é por que muitos não têm condições diante de um salário mínimo a R$ 415,00 incapaz de suprir as necessidades básicas de uma família; só a cesta básica custa R$236,00 segundo o DIEESE.


Mas nesse mesmo período também surgiram os problemas conjunturais, apesar da boa fase em que se encontrava o projeto (até hoje inacabado) em busca das melhorias do local. Os problemas com a criminalidade foram surgindo depois da ditadura militar, por volta da década de 60/70, gerando com o passar do tempo conflitos internos na comunidade e desarticulando os mutirões antes organizados; desde então a coletividade foi abolida e o convívio fragmentado.


Chegamos naquilo antes comentado, as dificuldades enfrentadas pelos moradores ultimamente. Claro está que não vem de hoje o problema e mais claro ainda ficou a posição das autoridades em sua omissão histórica junto aos estigmas alimentados pela nossa imprensa; desde a época de Ibrahim Sued no Globo, disse um morador. Aliás, outro falou, “o jornal já é naturalmente contra a gente” referindo-se às notícias atuais.


Há algum tempo os tiroteios são sistematicamente reproduzidos levando a vida de policiais, traficantes e moradores, sem falar nas imposições por estes sofridas em conseqüência dos conflitos. Com a liberdade de ir e vir regrada e diversos fatores influindo em suas vidas, como a invasão de privacidade, ocorre um certo desconforto graças aos policiais e os traficantes ou vice-versa. Enquanto isso nossos jornais mostraram moradores do bairro com medo, blindando suas casas, gradeando seus prédios e instalando câmeras de segurança como se os problemas dessa forma fossem resolvidos. Ou seja, fingindo que não existem na espera de que todos sejam eliminados dentro dessa lógica de extermínio, dita de combate pelas autoridades, na qual só vemos perdedores. Não há propostas de inclusão e interação, somente afastamento, repulsa e contorno do problema.


Teve uma fase de tentativas de mobilização interna através de meios de comunicação com a rádio comunitária e um jornal impresso, mas não vingou.


Nesses meses no auge dos confrontos, representantes da comunidade foram chamados para um debate junto ao governo, a imprensa e moradores do bairro. Mas chegando ao local a situação não era a mesma proposta quando foram convocados. Muitos se sentiram ofendidos no momento por causa dos preconceitos e ainda foram retratados de forma distorcida em relação aos acontecimentos posteriormente. Fora isso, ainda há a dificuldade em dar voz às suas reivindicações, principalmente na presença da elite do Leme que sempre os interfere segundo seus interesses.


Depois dessa fase conturbada foi organizado um fórum entre os líderes da Babilônia e do Chapéu com os representantes da Amaleme (Associação de Moradores do Leme) e Sos Leme (uma ONG da região) desencadeando, até agora, na construção de um posto da Gepar (Grupamento Especializado de Área de Risco) no topo do morro. Os líderes do bairro estão impondo suas necessidades e vale ressaltar que os moradores da Babilônia só foram saber da obra após o seu início, pois a resolução foi dada de fora para dentro sem o consentimento dos moradores; ainda há o risco de alguns serem expropriados pela obra sem o direito de questionamento.


Os representantes das duas comunidades estão tentando, através desse fórum, se unir e agir sem a interferência dos moradores do bairro que vêem as questões de modo diferente e sempre tomando frente na hora das soluções. A idéia das comunidades é levar para a prefeitura um projeto para o PAC que contemple a segurança em meio a uma política de habitação.


Há uma escola desativada dentro do Chapéu onde são feitas aulas de reforço escolar por voluntários, senhores que não têm mais condições de saírem do morro e precisam de tratamentos médicos são auxiliados também por voluntários como é o caso de um jovem, enfermeiro e ex-militar, que está sempre envolvido nas questões sociais do local.


O primeiro presidente eleito pela Associação de Moradores do Chapéu Mangueira e um dos fundadores da Faferj (Federação de Favelas do Rio de Janeiro), Lucio Bispo, disse que com as áreas conquistadas apresentando uma estrutura constituída só lhes falta um projeto de urbanização com o auxílio financeiro dos moradores, de acordo com suas condições junto à prefeitura. E destacou que “nas favelas o grande problema é social e não repressivo”.


Pensamento complementar ao da anciã mais querida do Chapéu Mangueira, Dona Augusta, moradora há 53 anos e uma espécie de líder do local, que falou em seu galpão de artesanato onde é desenvolvido um trabalho social há décadas: “nós queremos a polícia aqui, mas com honestidade e com verdade de forma a nos respeitar”; provavelmente não é o que está acontecendo.


E é preciso destacar novamente que se trata de um dos bairros mais nobres da cidade e este não é um caso isolado, pois se compararmos às outras comunidades, infelizmente, até podemos dizer que a situação não é ruim. É um processo que se alastra Rio de Janeiro afora e com armas de fogo não está sendo resolvido.

01/08/08

As melhores entrevistas do Jornal Laboratório: Milton Coelho da Graça


As melhores entrevistas do Jornal Laboratório: Luiz Garcia


14/07/08

As melhores entrevistas do Jornal Laboratório: Ricardo Boechat


Para ler é só clicar na imagem.

11/07/08

As melhores entrevistas do Jornal Laboratório: Marcos Sá Corrêa


10/07/08

Entrevista publicada no Jornal Laboratório pode ser citada em livro

Primeiro foi o professor Gilson Caroni que citou uma frase da entrevista do diretor de Redação da Veja, Euripedes Alcântara, feita pela aluna Daniela Lima, em um artigo no site Carta Maior, republicado em outros sites. Agora é o escritor Giancarlo Summa que pretende incluir um trecho da entrevista em seu livro ""O papel político da imprensa no Brasil - Da eleição à reeleição de Lula". Leiam abaixo a mensagem que Giancarlo enviou para o professor Gilson:
"Prezado Gilson, li seu artigo na Carta Maior "Imprensa, um semestre de imposturas". Concordo com suas avaliações. Gostaria de pedir um favor. Estou terminando de revisar um livro meu que será editado na França até o fim do ano, dedicado a "O papel político da imprensa no Brasil - Da eleição à reeleição de Lula", e gostaria de citar a frase do Eurípedes Alcântara que você relata ("Como no Congresso as oposições estavam- e ainda, de certa forma, estão- desarticuladas, Veja se viu nessa incômoda situação de ser a única oposição real ao governo Lula"). Poderia, por favor, precisar quando e exatamente em qual veículo foi publicada esta entrevista? Tentei no Google, mas não a encontrei. Muito obrigado, Um abraço, Giancarlo Summa".

06/07/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Gostaria de ver no Jornal Laboratório oportunidades de estágio e emprego. E também, divulgação de palestras e seminários, mas não somente as que acontecem na FACHA, mas em outros locais também!" (Nathália Aguiar, Jornalismo).

02/07/08

Cine Glória exibe mostra Fome de Glauber


O Cine Glória exibirá de 03 a 06 de julho, com exclusividade no Rio de Janeiro, a Mostra Fome de Glauber, em homenagem ao eterno Glauber Rocha. O evento acontecerá sempre às 20h30m e exibirá quatro obras do cineasta, com entrada gratuita mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível para o Programa Fome Zero. A mostra, realizada em conjunto pela produtora carioca Urca Filmes, pelo Tempo Glauber e Paloma Cinematográfica, acontece em comemoração à 1º fase do projeto Coleção Glauber Rocha, que realizou a restauração digital de quatro filmes de Glauber, possibilitando a volta de suas obras às telas brasileiras. Todo o projeto Fase 1, que restaurou as obras Barravento, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Terra em Transe e A Idade da Terra, foi patrocinado pela Petrobras através da Lei Rouanet e realizado pelo Tempo Glauber e Paloma Cinematográfica. As obras foram reunidas em uma caixa de DVD com extras inéditos, que está disponível a venda para todo o público.

Coleção Glauber Rocha - Fase 1Tel + 55 21 22260633 / 81846986

Dica de Eduardo Sá (estagiário do Jornal Laboratório)

01/07/08

O futuro do Jornal Impresso

Forraremos gaiolas com disquetes?
Rafel Dias Ferreira*

Brincadeiras à parte – até porque, quando esse dia chegar alguém terá inventado algum forro de cristal líquido – nunca se falou tanto sobre esse tema. Qual será o futuro do jornal impresso? O juízo final não será tão apocalíptico assim...

O vies econômico que permeia esse questionamento não pode ser considerado como único. O desaparecimento de uma mídia envolve questões muito mais sociais do que econômicas. Hábitos e tradições são levados em conta sempre que se questiona o aparecimento de uma nova mídia. Foi assim com a televisão. Foi assim com o rádio. Os meios de comunicação são como extensões do homem e são avaliados por princípios éticos e morais também. Sendo assim, eles tendem a seguir os princípios da natureza: “Nada se cria, tudo se transforma”. Um novo meio de comunicação nunca cessa de oprimir os velhos meios, até que encontre para eles novas configurações e posições. O aparecimento da televisão transformou hábitos, tendências. A novidade pegou o homem de surpresa do mesmo jeito que a Internet vem fazendo. Alterações, a princípio presas a nichos, foram se expandindo pelo globo. Mesmo assim, o rádio não desapareceu. Perdeu espaço, mas até hoje se transforma a cada dia que passa. Convive com a tv explorando as possibilidades que ela não consegue alcançar. O conteúdo do rádio passou a ser mais específico, em termos de entretenimento, e mais ágil e voltado para serviços, quando se fala de informação.

A chegada da Internet talvez seja ainda mais explosiva que a chegada da tv. Isso porque a exploração desse meio ainda se encontra num estágio primário. Mesmo assim, profundas transformações já ocorreram. A certa anarquia presente e a falta de limite no ciberespaço, junto com a facilidade e agilidade do meio – mesmo ainda não sendo tão popular quanto os outros meios, principalmente no Brasil - trouxeram consigo questões morais também. Apesar do atual fascínio pela informação sem limites que pode ser encontrada no ciberespaço, os pacotes de informação, com um contexto editorial, um princípio e um fim, continuarão a ser a preferência das pessoas. Ainda é muito difícil conceber o que pode ser verdade ou mentira dentro desse universo. A agilidade em postar novas informações esbarra com a credibilidade e profundidade das mesmas. Do outro lado, o jornal impresso ainda traz consigo a credibilidade e a certeza de um trabalho profissional envolvido. Não dá pra comparar um trabalho sério de um jornalista de um veículo impresso com a de um anônimo que escreve em um blog. Em uma mesma edição de impresso, feita por jornalistas experientes em apurar as notícias, o consumidor terá todas as variáveis de informações: política, economia, esporte, polícia, variedade, cidade, análises nacionais e internacionais, opiniões conceituadas, oportunidade de investimento e o que mais se imaginar para o gosto do leitor. Na Internet, normalmente os sites são especializados, quando muito. Porque na maioria das vezes se baseiam apenas em especulações e opiniões de duvidoso conceito.

Portanto, não passa de mero achismo afirmar que os jornais impressos terão vida curta. A única dúvida que pode pairar no ar seria pra que direção eles poderiam seguir. As mídias tendem a se adaptar umas às outras. Quando se complementam, os resultados são sempre positivos. O meio digital pode e deve assumir o seu papel dinâmico e acessível. Mas vai ser difícil alcançar o que o impresso e outros meios já têm. A análise mais profunda, a credibilidade e até a cultura do jornal impresso não serão substituídos tão facilmente. O que é do impresso, o digital não come. Mas alguém precisa dizer isso a ele.
* Aluno da FACHA.

26/06/08

Curso de Telejornalismo

NOVAS TURMAS PARA CURSO DE TELEJORNALISMO NO CINE GLÓRIA

Devido ao sucesso das últimas edições, o Cine Glória, administrado pela produtora Urca Filmes oferecerá, a partir do próximo dia 12 de julho, mais uma turma do curso Telejornalismo: Aprenda na Prática, ministrado pelos profissionais Ronaldo Rosas, jornalista, ator e publicitário; e Marco de Cardoso, jornalista, publicitário e professor universitário. A nova turma do curso, ministrado pelos dois jornalistas desde 2006, terá duração de um mês e carga horária de 20h, com aulas uma vez por semana, sempre aos sábados.

As inscrições podem ser feitas no próprio Cine Glória (Praça Luis de Camões, s/nº, subsolo – Glória) e informações podem ser obtidas pelos telefones (21) 9204 0877 ou 2556-0781 e pelo e-mail: cinegloria@urcafilmes.com.br.

PROGRAMA:

TELEJORNALISMO: Aprenda na Prática Conteúdo Redação de textos para tv; apresentação diante da câmera; técnicas de narração em off e ao vivo; as formas de narrativa para telejornais e programas jornalísticos; como fazer entrevistas; exercícios práticos de vídeo e redação de textos com os alunos. Ao final, os alunos recebem um DVD com as gravações feitas por eles durante o curso.

Docentes

Ronaldo Rosas - Jornalista, ator e publicitário, apresentador do “Jornal Bandeirantes”; âncora do “Jornal da Manchete”; apresentador e repórter especial dos programas “Câmera Manchete” e “Programa de Domingo”; âncora do Talkshow “Primeiro Time” e do telejornal “Edição Nacional” na TVE; supervisor e co-autor dos Cursos de Pós-graduação em Comunicação; diretor da Escola de Rádio e TV (graduação) e diretor da Escola Superior de Mídia do Instituto Politécnico da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

Marco de Cardoso - Jornalista, publicitário e professor universitário. Diretor e editor de telejornais e programas jornalísticos na GloboNews, Globosat (GNT, Sportv), SBT, Record, Bandeirantes, Fox, TVE, CNT, UTV-RJ e Manchete. Coordenador do Laboratório de TV e professor de Redação Publicitária da Escola de Comunicação Social da UNIGRANRIO. Coordenador do curso de Graduação Tecnológica em Produção Audiovisual na UNIGRANRIO. Professor de Telejornalismo e Texto para TV na UERJ, Universidade Estácio de Sá, Universidade Gama Filho e Centro Universitário Moacyr Bastos. Ganhou três prêmios de jornalismo (EXPOCOM, Prêmio da Fundação Parq-Tec da Universidade Federal de São Carlos-SP e o Prêmio Austregésilo de Athayde).

Informações e inscrições

Carga horária: 20 horas (4h /semana) Sábados: 12/07, 19/07, 26/07, 02/08 e 09/08, das 09h às 13h

Custo: R$ 550,00 com opção de parcelamento em 2x ou 10% de desconto à vista ou para quem indicar outro aluno.

Público – alvo: Profissionais da área de telejornalismo, recém-formados ou estudantes de Jornalismo.

Vagas Limitadas. Turmas com um mínimo de 10 alunos.

23/06/08

Alunos fazem nova peça de divulgação do JL e do blog



O trabalho foi feito como tarefa de VA pelas alunas Lena Benzecry, Raphaela Avena e Juliana Lima de uma das turmas de Assessoria de Comunicação.

18/06/08

Mouse pad para divulgar o Jornal Laboratório





Os alunos da turma de Assessoria de Comunicação (manhã - T7h) desenvolveram diversas ações para divulgar o Jornal Laboratório e o blog. Uma delas foi o mouse pad criado por Juliana Penido, Marina Leão, Nathália Aguiar, Ivo Andrade, Paulo Henrique Simões, Bruna Mayonne e Lívia Andrade. Reprodução fotográfica: Pedro Curi (Laboratório de Fotografia)
O blog está sendo divulgado também nos computadores (Papel de parede) dos laboratórios Tim Lopes.

17/06/08

Palestra sobre Passeata dos 100 mil durou quase três horas



Quase três horas! Foi o tempo que durou ontem a palestra do professor e ex-líder estudantil Vladimir Palmeira e do repórter-fotográfico Evandro Teixeira sobre os 40 anos da Passeata dos 100 mil. O auditório da FACHA Botafogo ficou lotado durante a palestra. Os professores Cid Benjamin e Pery Cotta foram os mediadores do evento, patrocinado pelo Jornal Laboratório, com o apoio do ERP (Escritório de Relações Públicas).

Fotos: Pedro Jardim




Palestra sobre Passeata dos 100 mil é divulgada na coluna do Ancelmo Goes


16/06/08

Palestra sobre Passeata dos 100 mil é divulgada no Informe JB


13/06/08

Palestra sobre a Passeata dos 100 mil - Divulgação





A palestra sobre a Passeata dos 100 mil está sendo divulgada em cartazes pelos corredores da Faculdade, no site e nos papéis de paredes dos laboratórios de redação (Fotos de Pedro Jardim). O trabalho foi desenvolvido pelo pessoal do ERP (Escritório de Relações Públicas).

Palestra sobre a Passeata dos 100 mil


Jornal Laboratório - Junho de 2008 - Versão JPG


12/06/08

Grutacha apresenta "O Alienista" no SESC Niterói


Desculpem a nossa falha!

1) Por um erro de revisão e edição, o texto do ombudsman da edição de junho saiu truncado. Publicamos abaixo o texto sem o erro.

Ombudsman

O desafio de escapar das armadilhas
por Ricardo Benevides

Mais uma bela edição do Jornal Laboratório e me vejo na tarefa de ler seus textos como o ombudsman da vez. Prazer reduzido – ou vocês pensam que é agradável criticar o ofício alheio? –, a princípio este número me pareceu dos mais equilibrados, com boas matérias, principalmente a que recupera a vida e a obra do jornalista Luís Carlos Sarmento.

Há pouco tempo, dei depoimento ao blog do JL, afirmando minha vontade de ver em suas páginas mais conteúdos que recuperassem a História (com H maiúsculo) da Comunicação, em suas habilitações profissionais. Casos como o do jornalista que inventou o “drama do gavião” precisam se manter vivos.

Também destaco positivamente as matérias sobre Philip Bennett e Daniele Garcia. O texto sobre o aluno de Jornalismo que virou juiz de futebol tem boas sacadas, como o fato de profissionais dessa área terem duas mães, a que fica em casa e a que aparece nos estádios. Bom humor precisa ser presença freqüente no jornalismo universitário, e ele também está na fala da aluna-escritora, vencedora do concurso literário do Caderno Prosa & Verso. Ainda assim, talvez o espaço dedicado ao depoimento tenha sido grande demais. Senti falta de certas informações na matéria sobre a aluna, seus projetos futuros, a habilitação que cursa, entre outras.

A seção “Em todo lugar tem alguém da FACHA” podia explorar melhor o conteúdo das outras habilitações, para não ficar restrita aos temas do Jornalismo – a imensa maioria de logomarcas de empresas jornalísticas, no topo da página, denota o desequilíbrio. Neste número, por exemplo, a pauta dava margem a uma discussão sobre o espaço de trabalho das Assessorias de Comunicação como sendo também mercado para os publicitários e para os relações públicas – pesquisa da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) dá conta de que 22% dos responsáveis pela Comunicação Interna nas organizações brasileiras são formados em RP. E muitos são terceirizados, trabalhando em agências como a de Carolina Wayland, personagem da matéria. Desse jeito, o texto poderia falar mais alto aos anseios profissionais de mais alunos, elucidando suas questões essenciais.

A reportagem sobre a Veja é um desafio. Não propriamente porque seja difícil tratar do tema, opinar sobre a publicação da editora Abril ou revelar seus equívocos, mas sim por entender que a melhor posição para um jornal laboratório seria analisar as escolhas da revista sem incorrer no uso do próprio “método Veja”, sugerido pela matéria de Daniela Lima. À maneira maniqueísta, e recuperando o conceito do “Terceiro Excluído” citado no texto, poderíamos ver qualquer esforço para abordar os pontos de vista da publicação na perspectiva do “certo ou errado”, do “ético ou anti-ético”, levando o leitor a julgar a Veja como boa ou ruim. Escapar desta armadilha: eis o tamanho do desafio.

Num certo sentido, o JL escorrega. A própria pauta da reportagem posiciona o Jornal Laboratório, partindo das críticas de leitores, professores e jornalistas à revista para evidenciar os abusos, os excessos e o despropósito de suas posições. Devolvendo a voz à Veja, a última página do jornal traz a entrevista com Eurípedes Alcântara, diretor de redação, permitindo que ele se defenda. Então temos o jogo “ataque-defesa” que remete à bipolaridade “revista-boa versus revista má”... É claro, isto não compromete o trabalho dos alunos, muito bem feito e contextualizado na proposta. Mas o comentário deste ombudsman serve de alerta para os futuros jornalistas! O senhor Eurípedes diz que “não existe jornalismo a favor” e, com isto, quer eximir sua revista da responsabilidade ao atacar pessoas e instituições (governos inclusive) de maneira vil. Pois, digo eu, de cá: “também não existe jornalismo contra”. Se a Veja pratica, fiquemos espertos para não incorrer no mesmo erro de maneira desapercebida.

Proposital ou não, a escolha da segunda cor desta edição ocasionou algo interessante: ter um membro da Veja como entrevistado em uma página amarela. O resultado é muito proveitoso. Aliás, no jornal como um todo.
2) A resenha dos livros sobre 68, publicada na página 11, saiu sem o crédito do autor do texto. Rodrigo Gratacós Brum é o seu autor.

Classificados JL: estágio no site Bolsa de Mulher

Cargo: Estagiário
Salário: A Combinar
Localidade: RJ
Título: Estágio em jornalismo/webtv
Descrição: Estágio em jornalismo/webtv

O Bolsa de Mulher SA, uma empresa Ideiasnet (IDNT3 na Bovespa) focada
em de soluções femininas, oferece 1 vaga para estágio em produção e
edição de vídeo para web.

Requisitos:
- Estar cursando do 3 ao 7 período de Comunicação Social, Cinema ou
Desenho Industrial.
- Ter domínio de edição em Adobe Premiere;
- Ser ágil, criativa e curiosa;
- Gostar de internet.
Período: manhã ou tarde
Local: Ipanema
Remuneração: a combinar

Como participar:
Envie seu currículo e link para portfólio (YouTube de preferência) até
o dia 30/06/2008 para o email vagas@bolsademulher.com com o subject
"ESTAGTV 2Q 2008"
Nº de vagas: 1
Empresa: Bolsa de Mulher SA

Novo blog de aluno


Pedro Jardim, aluno do 6º período e estagiário do Laboratório de Fotografia, acaba de lançar um blog de fotos.Quer ver?

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Gostaria de ler no Jornal Laboratório mais matérias sobre o mercado de trabalho na área de comunicação social, sobre estágios, efetivação após estágio, carreiras que podemos seguir em comunicação social, dicas de comportamento em entrevistas, enfim, tudo que possa ajudar o aluno da FACHA a ingressar no mercado de trabalho. (Lívia Antunes Peçanha de Souza, 5º período, Publicidade e Propaganda).



"Gostaria de ler no jornal da FACHA notícias sobre a parte cultural do Rio de Janeiro (inclui-se música, teatro, cinema, livros..). Notícias sobre eventos novos, que vão sair, que são discutidos. Notícias sobre a política internacional também seria um ótimo tema!! Discutir e analisar os fatos que acontecem pelo mundo sempre me atraiu. (Sandra Barbosa, 1º período, Jornalismo)

11/06/08

Classificados JL - Oferta de estágio - Só para mulheres

Vaga de estágio na empresa Monte-Castelo Idéias
Mulheres
A partir do 6o período
(De preferência do turno da noite)
Horário: 8h30 às 18h
Assessoria de imprensa
Salário a combinar
enviar currículo para cecilia@montecastelo-ideias.com.br

"Pessoal": Vladimir Palmeira e Evandro Teixeira fazem palestra na FACHA





O ex-líder estudantil Vladimir Palmeira e o repórter-fotográfico Evandro Teixeira fazem palestra na FACHA Botafogo na próxima terça-feira, dia 17 de junho, às 19h no auditório. Vladimir foi o principal líder estudantil dos movimentos de 68 no Brasil e Evandro Teixeira acaba de lançar um livro sobre o tema. A Passeata está completando 40 anos no dia 26 de junho.


10/06/08

Jornal Laboratório Junho - Essa semana na FACHA - Destaque: Entrevista com Vladimir Palmeira



Foto: Daniela Lima

Aluna da FACHA visita Livraria Shakeaspeare and Company, em Paris. Breve no Jornal Laboratório





A aluna da FACHA Luciana Guimarães Duarte acaba de voltar de Paris e visitou a Livraria Shakeaspeare and Company, uma das mais famosas do mundo, a pedido do Jornal Laboratório. Luciana entrevistou o dono da livraria, George Whitman, personagem de livro.


Na primeira edição do próximo semestre você vai ler a matéria.

1ª Feira de Livros da FACHA



Fotos: Isabel Acosta
Texto: Eduardo Sá

Conforme a divulgação dada anteriormente no blog, está sendo realizada a I Feira de Livros na FACHA, promovida pela Liga Brasileira de Editores – LIBRE no campus II da faculdade.

O evento foi idealizado pelo aluno Erik H. D. Januário do 5º período de jornalismo que trabalha numa das editoras em exposição, Editora Apicuri, e com o apoio da LIBRE trouxe a feira para a FACHA.

A LIBRE é uma associação de editoras de pequeno e médio porte que ao enfrentarem dificuldades em expor seus trabalhos se juntaram numa entidade para viabilizar a distribuição e divulgação dos seus livros em espaços públicos e privados como livrarias e bienais.

Frente a esse desafio em função do desequilíbrio provocado pelo predomínio das grandes editoras a LIBRE desenvolveu esse projeto de ir ao seu público já que a visibilidade que têm é muito limitada.

Cada editora pôde colocar em exposição 25 obras, vendidas com desconto de 30% para facilitar o acesso aos alunos e professores, e foram doados três volumes por cada uma a nossa biblioteca.
Segundo o responsável pela Editora Unesp essa é uma forma de os alunos conhecerem o trabalho de editoras pouco divulgadas no mercado e estimulá-los ao hábito de leitura, além de abrirem um espaço para tirarem suas dúvidas sobre a produção dos livros e as particularidades dessa ferramenta que lhes é tão próxima e importante.

Estão expostos livros dos mais diversos gêneros, indo desde arte e cultura até estudos políticos e sociológicos tendo como destaque a variedade de exemplares relacionados à área da comunicação.

Esse foi o primeiro evento realizado na faculdade em conjunto com essas editoras que possivelmente terá continuidade e prosperidade nessa relação entre editores, alunos e professores numa área cuja leitura é fundamental.

As editoras participantes foram: Pinakotheke, Garamond, Contraponto, Senac Rio, Íbis Libris, Pallas, Revan, Outra Letras, MAuad, Unesp, Casa da Palavra, Quartet, Bem-te-vi, Apicuri.



08/06/08

TV Globo também faz concurso sobre mascote



Acabou de sair no site do globoesporte.com Nosso concurso sobre o mascote do jornal sairá em breve.

07/06/08

Jornal Laboratório no Orkut



Alunos de uma das turmas de Assessoria de Comunicação da turma da manhã da FACHA Botafogo criaram uma comunidade no Orkut sobre o Jornal Laboratório. A criação da comunidade faz parte de um projeto de divulgação do Jornal e do blog do JL.
Os alunos são:
Marcelo Victor, Michelle Theotonio, Rafael Braga e Rodrigo Novaes.

Ex-aluna de universidade americana faz palestra na FACHA


Nesta sexta-feira a recém-formada jornalista Jéssica Janner mostrou para um grupo de alunos da FACHA Botafogo como se faz jornalismo na terra do Tio Sam. Sua universidade, a University of South California, é bem diferente das que encontramos no Brasil. O tamanho do Campus, a disponibilidade de equipamentos de última geração e a vinculação de um Tele-Jornal da própria universidade, são alguns exemplos que foram mostrados por Jéssica.
Em breve você vai ler mais detalhes sobre a palestra.
Texto e foto: Pedro Jardim

05/06/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Para mim, o Jornal Laboratório é a concretização de todas as técnicas e teorias que estudamos durante a faculdade, por isso acho que as pautas deveriam conter mais assuntos do campus e, também do bairro de Botafogo - onde nos localizamos. Cor e diagramação também poderiam ser mais valorizados. Afinal, é o nome da Facha e o que nós aprendemos que está sendo representado!". (Beatriz Cecchetti, 5º período, Jornalismo)




“Seria interessante se ampliassem a agenda cultural do jornal e dessem ênfase ao pilar estudantil”. (Rafael Medeiros, 4 º período, Publicidade).


“Seria legal se abrissem um espaço no jornal para qualquer arte desenvolvida pelos alunos como charges, histórias em quadrinhos, poesia... um espaço onde os alunos possam criar e se expressar”. (Rafael Ferreira, 3º período, Jornalismo/Radialismo).



“Deveria ser dado um espaço maior para o jornalismo esportivo. Raramente é publicado algo dessa editoria que tantos alunos querem exercer após se formarem”. (Anderson Viana, 7º período, Jornalismo).


“O Jornal poderia apresentar um roteiro cultural dos arredores da FACHA em Botafogo como por exemplo o cinema Unibanco, o Artplex e músicas ao vivo que ocorrem nos bares próximos. É uma forma dos aproximar os alunos dos espaços culturais próximos à faculdade”. (Alexandre Fernandes, 1 º período, Jornalismo).

04/06/08

Feira de Livros da FACHA


03/06/08

"Matéria recomendada por": professor Luciano Zarur


O professor Luciano Zarur recomendou publicar no blog a capa do trabalho da aluna Renata Soneghetti.

02/06/08

Jornal Laboratório - Maio de 2008 (versão jpg)







Para ler as páginas é só passar o mouse.


31/05/08

Jornal Laboratório - Junho de 2008: Vladimir Palmeira fala sobre a Passeata dos 100 mil



Já estamos produzindo a edição de Junho. Destaque para entrevista da página 12, com Vladimir Palmeira falando sobre os 40 anos da "Passeata dos 100 mil", realizada em 26 de junho de 1968.

30/05/08

Release: Palestra sobre "Novas Tecnologias e Futuro da Mídia"

PRÊMIO MONGERAL IMPRENSA
Cerimônia de entrega homenageará ABI e terá palestra sobre novas tecnologias e futuro da mídia

A cerimônia de entrega do II Prêmio Mongeral Imprensa acontecerá dia 10 de junho, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com homenagem à Associação Brasileira de Imprensa, ABI. O jornalista e presidente da ABI, Maurício Azêdo, receberá placa comemorativa ao centenário da instituição e, em seguida, haverá palestra com o jornalista e colunista de O Globo Ancelmo Gois, que falará sobre a influência da tecnologia e o futuro da mídia. A palestra será seguida de debate com os jornalistas jurados do prêmio, Heloísa Magalhães (Valor Econômico), George Vidor (O Globo / Globo News) e Denise Bueno (Gazeta Mercantil), e é aberta a estudantes de jornalismo. As inscrições devem ser feitas até 2 de junho e o evento é válido como atividade complementar.

Data: 10 de junho de 2008 – Horário: 9h
Local: Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea – Auditório do RDC da PUC
Inscrições até 02 de junho – Vagas limitadas
ALUNOS DA PUC - Inscrições na secretaria do Departamento de Comunicação
ALUNOS DE OUTRAS UNIVERSIDADES – Inscrições no site www.premiomongeralimprensa.com.br, link “Palestra”. Não esquecer de enviar nº de matrícula e nome da faculdade no corpo da mensagem.

Professor Ricardo Benevides fala de Literatura Infantil em telejornal da TV Brasil


O professor de Relações Públicas da FACHA Ricardo Benevides deu entrevista para a TV Brasil sobre Literatura Infantil. Quer ver? É só clicar.

28/05/08

Jornal Laboratório - Maio de 2008. O que está acontecendo com a Veja? - 2



Outras três capas da Veja que também causaram polêmica entre críticos da revista.

27/05/08

Jornal Laboratório Maio - Desculpem a nossa falha

Por um erro de edição, o endereço do blog do Jornal Laboratório, divulgado na página 5, está incorreto. O correto é http://jornallaboratoriofacha.blogspot.com

26/05/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"O Jornal Laboratório podia falar mais de assuntos ligados diretamente à comunicação. Técnicas, conceitos, coisas interessantes do mundo do Jornalismo e abordar questões e problemas da profissão. Acho que é necessário discutir mais temas relacionados à nossa carreira." (Rafael Barbosa, Jornalismo, 5° período).




"Numa perspectiva de que o jornal será um grande experimento para alunos de todos os períodos, acredito que se pudermos explorar melhor o pensamento individual de uma maneira que, todos possam expressar suas idéias liberadamente visando construir informação, não iremos reproduzir o que os demais jornais apresentam todos os dias, mas sim, construiremos pontos de vista diferentes de um mesmo "ângulo" para serem debatidos. Espaços para debates entre alunos como fóruns sobre assuntos diversos seja interessante". (Luiz Mauricio Urjais, 5º período, Jornalismo).





"Eu gostaria de ler no jornal da FACHA sobre alunos que estudam e trabalham e sobre as dificuldades que enfrentam com um horário tão pequeno para estudos e trabalhos acadêmicos". (Martha Bacci, 6° período, Jornalismo)


"O Jornal Laboratório é, decididamente, um diferencial para uma significante parcela da população carioca que procura manter-se sempre atualizada sem abrir mão da qualidade. Como tal, em seu atual processo de inovação, um maior espaço para resenhas, charges e crônicas seria muitíssimo bem-vindo bem como algumas reportagens de caráter mais amplo em relação aos temas e à área de abrangência". (Marcia Barreto, Jornalismo).


"Dentre os assuntos que mais me atraem em um jornal estão aqueles relacionados à comunidades, à cultura e à educação. Especialmente em uma faculdade, considero extremamente importante e, até mesmo, essencial que se tenha um foco nesses temas que permitam com que as pessoas produzam maior consciência e conhecimento desses elementos fundamentais para o desenvolvimento da responsabilidade e da cidadania." (Nicole M. Andrade, 23 anos, 6º período, Jornalismo).


"Acho que seria muito interessante ler no Jornal Laboratório matérias referentes ao bairro de Botafogo: gastronomia e cultura são pontos que não são explorados da forma como deveria ser. Outra questão é o crescimento no bairro da violência, população de rua, lixo espalhado e inúmeros buracos tanto nas calçadas quanto nas ruas. Isso não é só nas principais vias mas também nas pequenas ruas de Botafogo". (Taissa Saldanha)

25/05/08

Jornal Laboratório - Maio de 2008. O que está acontecendo com a Veja?

Esta reportagem sobre as capas da revista Veja foi produzida em 2004 pelo aluno Gilberto Prujansky para uma turma de Secretaria Gráfica e Programação Visual. Vale a pena ler. É só clicar nas páginas.
E não deixe de ler no Jornal Laboratório de maio: O que está acontecendo com a Veja?







Jornal Laboratório - Maio de 2008. Conto vencedor do concurso "Contos do Rio", de O Globo

A aluna da FACHA Daniele Garcia foi a vencedora do concurso "Contos do Rio" do caderno "Prosa e Verso" de O Globo com o conto abaixo. Ver matéria na página 5 do Jornal Laboratório.

Renascimento

Renato estava morto. “Nada se encaixa”, dizia Daniel, enquanto dividia um biscoito recheado e lambia o creme de baunilha. Limpou os dedos nos papéis que contavam a história do defunto, reduziu tudo a pedacinhos e jogou no lixo. Renato ainda pôde ouvir o ruído das folhas sendo rasgadas, quando os sons do escritório se confundiram com os de ondas batendo na praia. De repente, estava no meio do mar, a alguns metros da Praia do Flamengo. Nadou até a areia – não conhecia essa habilidade – e se sentou ali. Meditava sobre sua nova condição: um personagem de ficção que acabavam de descartar.

Ninguém havia notado sua chegada.Alguns caminhavam, indiferentes. Outros estavam preocupados com o próprio corpo: mediam os braços e as pernas, pulavam, como que para calcular o peso, acariciavam-se. Renato fez o mesmo. Depois, cruzou o Aterro e viu seu reflexo no retrovisor de um carro. Achou-se bonito. Sabia que Daniel o fizera jovem e de corpo atlético, mas a visão de si mesmo era nova. Soltou um riso alto e levou as mãos à boca. Possuía instintos humanos e uma bela voz de barítono.

A passagem para aquele universo o excitava. Viu que o lugar era habitado somente por personagens de ficção mortos: defuntos oficiais, que tiveram vida e morte publicadas, e os desconsiderados por seus criadores, como ele.

Resolveu procurar por Cidinha. Quis saber se ela também estava surpresa. Já previa a curiosidade da moça com a própria silhueta, as cócegas e os risinhos quando ele a tocasse. Precisava ver, com os novos olhos, a “pequena de cabelos compridos” criada para ele.

Contornou a Praça Paris e seguiu pelas ruas da cidade. Distraiu-se com um guarda sem rosto que apitava incessantemente em uma esquina da Rua Riachuelo. Só então percebeu a enorme distância percorrida até a Ladeira de Santa Teresa. Reconheceu o banquinho de cimento onde namorava Cidinha todos os dias já havia seis meses. Sentou-se e esperou.

Renato não se incomodava com o fato de ter sido descartado pelo seu criador. Sentia-se livre, capaz de escrever a própria história: “meu nome significa renascido”. Pensou nessa ironia e se achou superior.

O novo habitante se admirava com os fenômenos do lugar. Pôde ver – todos se reconhecem ali – o ilustre Rubião, personagem de Machado de Assis, subir a Ladeira. Renato assistia, então, à mudança do cenário: surgiam cupês conduzidos por parelhas de cavalos, donzelas carregando sombrinhas, homens de bengala. Parecia uma ala de escola de samba em torno de Rubião, que procurava por uma Sofia que jamais sairia do livro.

O desfecho daquela visão o assombrou. Cidinha também poderia não vir. Pensou em procurá-la no mar, mas já era noite. Teve certeza: ela não havia sido descartada. Maldito Daniel.
Pensava sobre o destino de Cidinha. Eram muitas as possibilidades: poderia estar com outro homem em uma história policial ou ter virado freira. Renato passava em frente ao Convento das Carmelitas imaginando sua namorada vestida com um hábito de Irmã Aparecida, dentro de um livro qualquer. Tremeu.

Foi para a Lapa. Ouviu o psiu de um sexagenário sentado à mesa de um bar, cavaquinho na mão. Renato olhou em volta para conferir em que época estava. Era a Lapa que conhecia.

Aceitou uma dose de cachaça oferecida pelo sambista sem nome. “Ouve esse samba”, dizia o homem. “É uma homenagem às tanajuras: as que a gente caçava pra comer com farofa e as que botam pra quebrar no miudinho”. Gargalhou e olhou o traseiro de uma mulher que sambava ao lado. Cantou alto a rima: “Nas tardes de verão da infância de muita gente, não faltava diversão na brincadeira inocente”. O velho já havia desistido de escrever o resto. “Isso aqui é muito bom, não quero saber de mais nada”. Renato imaginou como seria ouvir o mesmo samba, eternamente, longe da sua Cidinha. Tomou um porre.

Acordou na Praia do Flamengo sem saber como. Agora entendia o que eram enxaqueca e amnésia alcoólica. Quando se levantou, deu de cara com o sambista: “uma moça te procurou a manhã inteira. Cabelão enrolado. Tetéia. Disse que te conheceu aqui na praia”. Renato deu um pulo e correu pela orla. “Um peixão”, continuava o velho, limpando a areia dos sapatos.

Encontrou Cidinha ensopada. Era a segunda vez que acordava no meio do mar, andava sem rumo pela praia e voltava para casa, à noite. Trajava o mesmo vestidinho azul de quando se conheceram e trocaram telefones. Ela se lembrava apenas daquele encontro informal na praia, não sabia nada sobre Santa Teresa e só falava de lugares e pessoas que ele desconhecia.

Passaram a tarde juntos. Renato a convidou para conhecer a Santa Teresa dos dois. Foram ao Parque das Ruínas. Ela morria de rir com personagens antigos que mudavam o cenário, e ele a admirava: era mesmo linda. Renato deduziu que o nome de Cidinha aparecia em alguns dos rascunhos que Daniel havia descartado. Assim, ela poderia transpor os dois mundos. Só que nada disso tinha importância agora.

Terminaram o dia na Chácara do Céu, apreciando a vista dos Arcos da Lapa e da Ponte Rio-Niterói. Trocaram beijos e carícias. Renato já não se sentia superior. Era confortável estar preso à sua história.

Assim que o sol desapareceu atrás dos prédios do Centro, Cidinha seguiu, mecanicamente, em direção à Praia do Flamengo. Quando pisou a água, já era noite. Entrou no mar e sumiu.
A mesma cena se repete há anos: todas as manhãs, Renato espera por Cidinha. Ela surge do mar, com o mesmo vestido encharcado, sem se lembrar da véspera. Ele a conduz pelos mesmos caminhos e a vê partir à noite. Poderia mudar tudo, se quisesse. Ir a outros lugares, desistir daquilo. Mas Renato não quer. Prefere renascer ao lado dela todos os dias.

Jornal Laboratório - Maio de 2008. Mistério revelado do Gavião da Mesbla - 2

A matéria sobre o mistério do Gavião da Mesbla nasceu de um desafio em sala de aula (ver post abaixo). O aluno Athos Moura foi um dos primeiros a levantar informações sobre o "tal" gavião.


LIÇÕES DE UM HOMEM E UM GAVIÃO
Por Athos Moura

Alguns autores criam histórias, outros são tão bons que fazem essas histórias virarem verdades. Mas existem outros, mais excepcionais, esses têm a capacidade de transformar essas verdades em mitos que permanecem vivos na mente das pessoas. E o jornalista Luís Carlos Sarmento era um desses autores que são produzidos em pequena escala.

Ele poderia ter escrito as histórias das mil e uma noites, tamanha era a sua habilidade com a escrita, criatividade e genialidade. O jornalista e também professor José Argolo está escrevendo um livro sobre Sarmento – "Luís Carlos Sarmento: Crônicas de uma cidade maravilhosa" – que sai ainda este ano. Em palestra concedida a alunos da FACHA, Argolo comentou: “Se eu fosse escrever no livro todas as histórias do Sarmento ele seria enorme com mais de mil páginas e seria caríssimo”. Argolo teve acesso ao acerto de Sarmento após a sua morte. Seus trabalhos lhe foram entregue pela viúva de Luís Carlos Sarmento.

LUÍS CARLOS SARMENTO

Um homem que gostava de escrever, de ser repórter, que não sabia mandar, tinha muitos amigos e inimigos, e o maior deles esteve ao seu lado por quase toda a sua vida, o alcoolismo. Chegava muitas vezes bêbado à redação e seus amigos o mandavam ir até a escuta (onde fica o rádio de polícia) para dormir, porque lá o editor olhava e pensava que ele estava apoiado na mesa.

Escrevia matéria antes do fato ter acontecido, mandava informações para outras redações pensando que era a sua, sumia quando ia fazer uma matéria fora da cidade, enfim, muitas histórias pa contar.

Morreu nos anos 90 em casa de infarto. Um mal diagnóstico no hospital Souza Aguiar nos levou essa figura que hoje está esquecida pela maioria dos membros de sua classe.


O GAVIÃO DA MESBLA

Sarmento trabalhou nos principais jornais do Rio de Janeiro. Em uma de suas passagens pelo Jornal do Brasil, em 1959, ele inventou uma história, O Gavião da Mesbla. O jornalista era um ótimo bebedor. Em uma de suas saídas para um chopinho, ele ouviu de um vendedor de pipocas que os pombos da Cinelândia estavam sumindo. Pronto! História perfeita para um repórter não tão comprometido coma verdade absoluta.

Nos dias seguintes várias matérias foram publicadas falando sobre o gavião que comia os pobres pombos. A história foi crescendo e criando proporções maiores. O gavião ganhou um ninho, o relógio que ficava na torre do prédio da loja Mesbla, na rua do Passeio. A história criada por Sarmento fez vender muito jornal. A tiragem do jornal de 200 mil exemplares por dia passou para 800 mil. Mas, toda história precisa de um final. O editor do Jornal do Brasil na época mandou Sarmento dar um fim nessa história.

Dono de uma capacidade de criação extraordinária, o jornalista se transformou em diretor de teatro por um dia para o grande final do gavião. Sarmento contratou um homem e o caracterizou de caçador africano. Em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro, este homem, armado, caçava o animal. Uma equipe trabalhou com Sarmento para armar a cena. Eles compraram um falcão pelegrino empalhado e colocaram no alto da torre. O caçador ao avistar o animal deu um tiro. Um assistente de Sarmento empurrou o bicho que caiu duro abaixo da torre. Outro assistente já preparado jogou sangue de galinha no falcão. O caçador e Sarmento foram até o local onde o animal estava e o trouxe enrolado em folhas de jornal. Tiraram uma foto que foi capa do jornal do dia seguinte.

O QUE UM VELHO JORNALISTA ENSINA PARA UM NOVO JORNALISTA

Luís Carlos Sarmento proporcionou para alguns alunos de Jornalismo mais do que risadas de suas hilariantes histórias. Suas memórias perdidas com o tempo, mal preservadas pelos veículos vez com que mergulhássemos no mundo das pesquisas. Metemos a mão na massa para desvendar um pouco sobre esse homem. Alguns foram mais além, outros nem tanto. Mas foi uma experiência positiva, inegavelmente.

Aprendeu-se como ir atrás da informação, apurar se ela é verídica, documentar e a contar suas descobertas. Tivemos exemplos de camaradagem, nas trocas de informações entre os colegas; dedicação, na procura pelos documentos; e sentimos orgulho, quando uma de nossas colegas apresentou o resultado de seu trabalho. Sentimos uma inveja positiva. Um sentimento como hoje não consegui, mas amanhã pode ser a minha vez.

Além disso, foi reforçada para alguns a certeza de que o Jornalismo é o caminho certo a se seguir como profissão. Foi gostoso fazer este trabalho. Sentir o gosto de sair detrás dos livros e ir para as ruas atuar.

20/05/08

"1968. O ano dos outros", professor Ivan Cavalcanti Proença

1968. O ano dos outros
professor Ivan Cavalcanti Proença
EXCLUSIVO

Se alguém considera que a juventude devia revoltar-se, bradar, espernear, incendiar, depredar, em nome de uma bandeira de luta por liberdade de droga, de sexo e, colonizadamente (no caso), de Rock and roll... Bom proveito. Se alguém considera que aquela juventude européia, revoltadíssima pelas ruas de Paris e às margens do Sena, representava os jovens do resto do mundo... Bom proveito.
Se alguém considera que a chamada contra-cultura (qual alternativa se instaurou de fato?) devia substituir, institucionalmente, outra forma de Cultura... Bom proveito.
Se você acha que aquela juventude cosmopolita, de capitais européias – com boas Universidades, sem problemas de séria natureza existencial como a necessidade de trabalhar ganhando miséria, para poder estudar e “ajudar em casa” (se conseguir) – devia mesmo ser rebelde (ó palavrinha feia, “fabricada”, global”)... Bom proveito.
Se você não raciocina sobre o que, afinal, resultou da ânsia de liberdade no uso de drogas e no “uso” de sexo... Bom proveito.
Se você não observou que a nossa Grande Imprensa alardeia 68, ouvindo intelectuais e artistas que (alguns) “por tabela” vacilaram, à época, aderindo àquelas bandeiras e ou publicaram e publicam livros-loas ao Ano... Bom proveito.
Se você não se importa com a alienação resultante disso tudo, quando hoje a exaltação a 68 faz com que jovens até julguem que o Golpe de fato ocorreu em 68, ignorando as barbaridades de 64 (e ao longo dos 20 anos), ignorando que 68 e AI-5 foram recrudescimento de tudo que já ocorrera em 64 e se prolongaria... Bom proveito.

Mas, por favor:

Não comparem a juventude brasileira da época àquela outra parisiense et caverna. Não coloquem tudo no mesmo saco, envolvendo nossos jovens que enfrentavam uma Ditadura impiedosa e violenta, atuando, aqueles moços, nos aparelhos, nas facções armadas, nas Faculdades, em toda parte, nas capitais e interior (a seguir nas guerrilhas não-urbanas). Maldade e injustiça histórica o que se faz. Nossa juventude ousava sim, mas através de outro tipo de underground, e de contra-cultura. Isto é, contra a cultura ditatorial e não raro assassina. Tudo diferente.
Cultivem o período e tudo mais, à vontade. Podem até, aburguesar-se como queiram, através de consumismos vários e rebeldias “sócio-culturais” – afinal, democracia é isso também.
Mas esqueçam a imagem daqueles jovens corajosos e dignos dos anos 60 e 70. Deixem conosco. A gente os lembrará. Para sempre.

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"O jornal poderia editar uma matéria com os alunos de cada período, homenageando o melhor professor, o que se destacou nesse período e fez a diferença. Seria uma maneira de indicar sugestões que, por ventura, venham a aprimorar o perfil da disciplina. Assim incentivado e agradecendo os perspectivos professores". (GioseteVieira, 6º período, Publicidade e Propaganda)



Gostaria de encontrar um espaço para estágio, cursos de extensão direcionados aos alunos, não só da propria faculdade, mas como de outros lugares. Gostaria que divulgassem cursos de interpretação e informática para melhor desenvoltura dos alunos. Queria também ver um espaço de palestras e exibições de filmes e mais visitas de profissionais da área para passar suas experiências para os alunos". (Amanda Sampaio, 20 anos, 5ºperíodo, PP)





“Gostaria que o Jornal Laboratório reservasse uma parte para dar informações e dicas para os alunos que querem seguir área acadêmica.”. (Raisa Capela/Flor Baez, 5º período, Jornalismo).





“O Jornal Laboratório deveria destinar uma parte para poesia e trabalhos dos alunos”. (Marília Bonna, 5º período, Jornalismo).





“Acho que o Jornal Laboratório deveria colocar a programação cultural da FACHA, assim como as atividades extracurriculares ligadas à nossa área". (Alexandra dos Anjos, 3º período, Jornalismo).





“Gostaria de ler no Jornal Laboratório, matérias sobre argumentações religiosas e a opinião dos alunos sobre as religiões”. (Caroline Coutinho, 3º período, Jornalismo).





"O que eu sinto falta no JL são reportagens com profissionais do Jornalismo, Publicidade, enfim, um conteúdo que possa acrescentar a nosssa bagagem cultural. (Monique Padrão, 5° Período, Publicidade).



"Seria interessante a divulgação de cursos e oportunidades de estágios para nós estudantes que estamos sempre em busca desse tipo de informação". (Beliza Coelho, 5° Período, Publicidade).


"Gostaria de ver matérias que falassem de Cultura e Moda, como somos da área de Comunicação, é sempre válido estar antenado nas novidades." (Amanda Chaves, 5° Período, Publicidade).

1968: "Em 28 de março de 2008...", Alexandre Sobral



Em 28 de março de 2008...
Alexandre Sobral Rebelo Horta*

Tentarei explicar direito o porquê, mas conforme se aproximava do dia 28 de março, surgiu em mim um sentimento inexplicável de algo completamente novo, não era simples curiosidade por saber o quão importante significaria aquela data. Por ser estudante de jornalismo, eu tinha a obrigação de saber sobre aquilo e, me aprofundar mais a respeito do assunto, aguçar meu senso crítico na pura consciência. Com apenas 20 anos de idade, resolvi botar na minha cabeça que aquela data seria um marco social e político para o país, já fora motivado pelos meios de comunicação, onde pude me informar através de exclusivas matérias sobre o fato e todas as novidades que sucederam aquele ano de 1968. Pode ser papo de gente grande, talvez uns distantes 40 anos no passado, porém quanto mais eu descobria sobre essa história, menos eu gostava do resultado caótico gerado por essa nova democracia Brasileira. Foram muitos os livros lançados, como o do jornalista sublime Zuenir Ventura, ou do fotojornalista consagrado Evandro Teixeira. Todos contendo análises artísticas e intelectualizadas daquele ano nervoso, cuja imprensa sofreu muito apesar de conseguir sobreviver felizmente. Para mim, simples aspirante a agente da comunicação, já sabia qual importância teria aquele “aniversário” para os estudantes, e justamente por isso, ser jovem num Brasil que ainda necessita de muito amadurecimento como Nação, que não faltou indignação de algumas partes.

Toda a conquista estudantil virou resultado no pós-fim da ditadura, quando somados aos méritos principiados pelo ápice de 1968, se tornou o maior símbolo carregado na nossa bandeira Nacional. De fato, haveria de ser uma festa bonita, comemorar a restauração da democracia, mesmo depois de tudo destruído, todos nós tínhamos a obrigação moral de honrar aquele fim, ou ao menos homenagear aquelas vítimas. Porque a morte de Edson Luis, infelizmente não decretou o final do Militarismo no país, mas sim, o início da batalha travada pelos opositores de esquerda. Baseado na morte do jovem estudante penso em quanto à “Passeata dos 100 mil” deveria render; pois no mínimo uma comemoração justa com diversos estudantes relembrando antigos valores, falando em flores mesmo sendo estas proibidas. Digo isso, por que relembrar é viver, correto? Quanta ilusão a minha, na verdade, quando fomos até o centro da cidade cobrir qualquer ato de manifestação, infelizmente não havia nada para ser registrado.

Há no brasileiro um valor único, e dizem que no mundo não existe razão igual para se orgulhar tanto quanto as existentes aqui. Reunimos expressões miscigenadas desse Brasil iluminado, abençoado por Deus, onde o povo preserva acima de tudo a fé, a gentileza e sublima tal felicidade explosiva em fanfarras noturnas. Fiquei pensando no Brasil, e nos presentes que ganhei por nascer brasileiro. Orgulho de ser, porque tudo isso é meu, seu, nosso e nunca será perdido.
* Aluno do 6º período de Jornalismo.

18/05/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Matérias essencialmente ligadas ao 'mundo facheano', assim não perderemos o caráter experimental que deve prevalecer num jornal laboratório, livre de amarras e fórmulas midiáticas.'Mundo facheano' não quer dizer portão fechado para o resto do mundo, mas lançar um olhar crítico/inteligente sobre nossa realidade". (Claudio Dantas, 5º período, Jornalismo).


"Gostaria muito de ver uma seção do jornal sobre os problemas que o bairro de Botafogo e os bairros das redondezas enfrentam por falta de cuidado da prefeitura. Abaixo repasso um email de um amigo sobre um lugar que deveria ser tombado pelo patrimônio histórico e está passando por problemas de estrutura primárias. Não sei se já acontece, caso não, também poderíamos cobrir a programação cultural do bairro de Botafogo e talvez bairros adjacentes. Em relação ao futebol poderíamos abordar os jogos mais importantes do mês no futebol carioca. ´Um buraco imenso da CEDAE,no largo das Neves, está ocupando o local em que eu trabalho. Além do mais, a praça está escura, pois a Rioluz, não troca as lampadas queimadas. Socorro Estado, socorro Prefeitura!!!Um abraço Rogerio´" (Bruno Victorino, 4º período).



"Gostaria que publicassem matérias sobre economia, pois como pude perceber a faculdade não trabalha tanto essa parte". (Leandro de Araújo Luna, 5° periodo, noite).



"Seria interessante que a cada edição o Jornal Laboratório publicasse matérias relacionadas ao mercado de trabalho.Mas que fosse algo novo que pudesse ser um referencial para os estudantes que estão em busca de uma oportunidade.Talvez opinião de professores, dicas de estágios, livros e palestras com profissionais da área.Todo mundo quer saber do profissional bem sucedido, então porque não divulgar a carreira de ex-alunos que entraram e, se mantêm bem no mercado de Comunicação Social. (Ana Claudia Soares, 5º período, Jornalismo).



"Espero ler no JL, temas como: a nova comunicação em questão, as políticas de comunicação, nova tecnologias da informação, agenda dos fóruns, seminários, debates em outras faculdades.
Aproximação da FACHA com outras universidades comprometidas com a democratização, troca entre os alunos da FACHA e outros centros de pesquisa. Agenda de debates entre os alunos, produção da informação. Afinal, como diz o professor Sebastião Martins, ´se o jornal é Laboratório, que seja espaço para a livre experimentação tanto do jornalismo como da publicidade e até de RP´. E que não seja reprodução do que já é comum na mídia tradicional. É importante que novos projetos surjam aqui no laboratório. Oficinas sejam desenvolvidas com acompanhamento dos professores atuantes. Algumas atividades executadas com êxito pelo NEC, possam ser desenvolvidas através do JL. O JL seja referência para outras escolas. Cada edição aguardada com ansiedade". (Suzana Marques, 5º período, Jornalismo)



"O Jornal Laboratório é com certeza um veiculo do qual o alunos da FACHA podem contar, sempre com boas matérias e artigos interessantes. Porém acho que falta ainda um pouco mais de noticias variadas, talvez divididos em editorias assim como o blog. Editorias sobre esportes, música e politica seriam muito bem vindos e agradariam um público maior e mais diversificado". (Gustavo Pinheiro, 5º período, Jornalismo).



"Na minha opinião, o Jornal Laboratório poderia abrir um espaço para oportunidades e estágios para os alunos". (Marina Leão, Jornalismo).



"Gostaria de ler no JL informações sobre estágios e festas, além de cursos, congressos e essas coisas que a gente precisa saber". (Manuela Soares de Freitas, 6º período, Jornalismo)



"O Jornal Laboratório é interessante por publicar notícias construtivas para a área que a faculdade prioriza, apesar de não divulgar muito palestras, estágios e oportunidades evolutivas no geral. Acho que essa parte seria essencial, por ser um auxílio aos alunos preocupados em aprimorar a profissão e um atrativo maior. Melhor ainda, seria uma coluna dedicada à opinião de professores e ex-alunos sobre a carreira e depoimentos com experiências vividas por eles. (Fabiola Barboa, 5º período, Jornalismo)




"Gostaria de ler no Jornal Laboratório, depoimentos de alunos que fazem a diferença socialmente. Exemplos engajados de personagens que dedicam fazem da sua profissão um canal para tornar este mundo um lugar melhor para se viver". (Raphaella Avena, graduada em Publicidade e Propaganda, cursa o 7º período de Jornalismo).

17/05/08

As melhores entrevistas do Jornal Laboratório: Bruno Thys, diretor do jornal Extra




Em breve você vai ler no blog do Jornal Laboratório as melhores entrevistas publicadas na "página 12". Como a de Bruno Thys, diretor de Redação do Extra. Vamos publicar também as entrevistas de Marcos Sá Corrêa, Pedro Bial, Ricardo Noblat, Ricardo Boechat, Milton Coelho da Graça, Luiz Garcia, Luis Erlanger, Chico Otávio, Joaquim Ferreira dos Santos, Albeniza Garcia, Marcelo Beraba, Aziz Filho, Fritz Utzeri, Ana Arruda Callado, Eucimar de Oliveira, Ana Maria Tahan e muitos outros profissionais do primeiro time do Jornalismo e da Comunicação. Aguarde.

16/05/08

REPORTAGEM AO VIVO: MUNIZ BARRETO PEDE SOCORRO!








Nas fotos acima: Rua escura e sem policiamento. Leo indignado com a falta de solução. Monick Dock e André Dias, alunos da FACHA, já foram assaltados.

Esta reportagem foi produzida em tempo real por alunos da turma de Técnica de Reportagem - Noite - durante o período de aula. Um grupo de alunos foi para a rua apurar a matéria com moradores do bairro, outro ouviu alunos da própria faculdade e outro ficou na redação.

Alunos que participaram: Alberto Lobo, Aline Lima, Barbara Bianco, Eduardo Strucch, Indaiá Reis, Juliana Teixeira, Luana Cristina, Luana Villaça, Luciana Guimarães, Marcela Nogueira, Miriam Cardim, Paula Virreira, Pilar Torres.

Fotos: Pedro Jardim e Viviane D´Ávila.

MUNIZ BARRETO PEDE SOCORRO!

A paz não pertence mais aos freqüentadores da Muniz Barreto. O desespero, o medo, fazem parte da rotina das pessoas que circulam pela rua e proximidades. A antiga tranqüilidade do andar na rua vem se tornando cada vez mais difícil. Um lugar onde é possível visualizar isso é na própria Faculdade Hélio Alonso. O cuidado com a violência já se tornou um hábito do dia-a dia dos seus alunos o receio de falar no celular, de um assaltante rendê-lo não se trata de uma realidade distante. Muito pelo contrário é o modo como as pessoas têm como reagir para garantir a sobrevivência.

Ano após ano nada muda, nada acontece, tudo continua...

A violência na rua Muniz Barreto está vulgarizada. O crime já é bem organizado, a escuridão eterna e a falta de policiamento de sempre (mesmo possuindo uma Delegacia na rua paralela) são melhores amigos do interminável odor de esgoto existente.

Vocês já viram o filme “Cheiro do Ralo” com Selton Mello? Pois é!! É exatamente isso que os moradores e visitantes de Botafogo sentem e vêem todos os dias.

Não menos importante, os estudantes das faculdades próximas, ainda relatam seus problemas com a ausência de estacionamentos e a obrigação ilegal do pagamento a guardadores de carro, que no final em nada diferencia no quesito segurança.

Enfim, situações como essas já fazem parte da paisagem local há muitos anos e ninguém faz nada para mudar. Eis aqui o desafio, e aí usuários, como vocês chegarão em suas casas ou faculdades quando não houver mais condições de tráfego e segurança nesta rua?

Aluno da FACHA, André Dias, de 22 anos, e seu amigo Bruno Crespo viveram momentos de pura apreensão recentemente na rua Muniz Barreto recentemente. Os assaltos na deserta e escura rua se tornaram uma realidade rotineira de quem se vê obrigado a passar por ali, como é o caso de grande parte dos alunos da FACHA.
Por duas vezes, num intervalo de 30 dias, André e Bruno puderam sentir na pele a total insegurança que norteia a Muniz Barreto. Os amigos estavam voltando da Rua Farani, onde num barzinho próximo, terminaram de assistir a uma partida da Seleção Brasileira. Ao voltarem para a Muniz Barreto, onde haviam estacionado o carro poucas horas antes, o encontraram com o vidro quebrado. Algo que chamou a atenção dos estudantes foi que todos os carros ao longo da rua do mesmo modelo Gol, se encontravam na mesma situação. “Os ladrões, pelo visto, estavam numa busca específica”, conta André.

Bruno resolveu trocar de carro. Não adiantou. Exatos 30 dias depois, ao estacionar seu novíssimo Palio, da Fiat, a surpresa foi ainda mais desagradável. Desta vez, não deu nem pra lamentar o estrago do carro, porque simplesmente o carro havia sumido. Agora com um de 40º tipicamente carioca brilhando no céu. A audácia dos assaltantes impressiona. A coragem de nossos governantes deveria impressionar também.

Fernanda Falcão também já sofreu com a falta de segurança no bairro. “Moro em Niterói. Todo dia desço em um ponto da praia de Botafogo e sigo o caminho pelo edifício Argentina, mas no dia 31 de agosto de 2007 eu peguei o caminho do viaduto. Estava com uma bolsa e uma sacola de compras. Uma moto parou um pouco à frente de onde eu estava. O carona desceu e ficou mexendo no pneu, como se algo estivesse errado. Quando passei por eles, um dos homens me agarrou e mandou eu entregar tudo, enquanto o motorista ficava me xingando e falando coisas para me amedrontar ainda mais. Minha bolsa rasgou e caiu no chão. Quando me abaixei para pegá-la, o carona pegou antes e começou a me bater com ela. Logo eles foram embora me deixando jogada no chão. Tinha um segurança na esquina que disparou três tiros na direção da moto. Ele falou que um dos tiros pegou no pneu e outro no carona, mas não sei se é verdade. Perdi minha bolsa com todos meus pertences e fiquei com medo de andar sozinha por aqui por um bom tempo”.
Cristina Miranda, 33 anos, moradora da Praia de Botafogo demonstra indignação e medo por não ter opção de levar sua cadela Amanda para passear. "Eu tenho o costume de vir aqui no máximo até às 19h30, porque já vi muitas pessoas assaltadas, usando drogas, até casais transando, desabafou a moradora. A praça próxima à faculdade localizada na Muniz Barreto conta com pouca iluminação e nenhuma segurança".

Leonardo Almeida Cadus, 49 anos, o famoso “Leo dos Sanduíches”, com seu carro parado na frente da FACHA há mais de 30 anos, confirma, indignado, a falta de segurança, pelo fato da rua estar localizada entre um pólo comercial e duas faculdades de grande porte no seu redor. "Os ladrões aproveitam o fluxo grande de jovens e a falta de segurança para assaltar, declara. Segundo Leo, "a falta de segurança já foi pior. Hoje, a FACHA tem seguranças que trabalham fazendo a ronda na rua para dar poteção aos estudantes".

Jair Lemos, 27 anos, porteiro há 6 anos do prédio ao lado FACHA, afirma que os moradores têm medo de chegar em casa após às 22h . "Depois que a faculdade fecha, fica muito perigoso".
No final do ano passado, a estudante de publicidade Monick Dock estava na rua Muniz Barreto a caminho da faculdade quando um homem de estatura média aparentando ter em torno de 30 anos abordou-a e pediu que ela lhe entregasse o celular que estava em seu bolso. Ao se recusar, a entregá-lo, o homem segurou seus braços e tentou pegar o aparelho a força. Sem grande sucesso ele começou a sacudi-la a e ameaçá-la. Um outro rapaz que presenciava a cena, interferiu no assalto e, fingindo que estava acompanhando a estudante, pegou-a pela mão e saiu andando com ela. O assaltante, assustado, distanciou-se e não reagiu mais.

Em janeiro deste ano, a estudante da FACHA, Renata Ururahy, estava passando em frente à saída de ar do metrô na Muniz Barreto quando observou que havia dois homens consertando um caminhão. Sem perceber maiores intenções, continuou andando. Alguns segundos depois um dos homens parou à sua frente e disse que não queria lhe fazer mal desde que ela fizesse o que seria pedido. Ele pediu que ela lhe entregasse o MP3 que estava em sua bolsa e em seguida começou a ameaçá-la dizendo que ela iria morrer e que ele não estava para brincadeiras.

Depois de entregar o aparelho, a estudante imediatamente entrou na faculdade, onde foi acalmada pelos funcionários. Ao sair da instituição se deparou com um dos assaltantes sentado no meio-fio em frente à porta. Com a ajuda dos seguranças ela conseguiu pegar um táxi em segurança e ir embora.

Renata conta ainda que ao conversar com a responsável pela secretaria da faculdade foi informada de que eles nada podiam fazer, pois já tinham pedido reforço policial diversas vezes sem serem atendidos, pois, aparentemente, a polícia alega não haver necessidade de policiamento na área.
Miriam Cardim: "Eu nunca fui assaltada, porque sou escandalosa"
Por Caroline Brandão

Miriam Cardim, aluna da FACHA desde 2003, já ouviu várias histórias sobre assaltos na Muniz Barreto. Sendo que durante os cinco anos que estuda na faculdade, nunca passou por essa experiência. Segundo Miriam, ser uma pessoa escandalosa ajuda em situações como esta e pode até coibir a ação de alguns marginais.

"Eu sou muito escandalosa. Se perceber que estou correndo algum perigo eu xingo muito. Uma vez, já na porta de casa, um homem foi puxar meu celular e na mesma hora eu senti a mão dele. Joguei o aparelho no chão e comecei a gritar desesperadamente, chamando a atenção de todos na rua. O tal marginal, que estava em uma moto com uma mulher, foi embora e o meu celular ficou", relata a estudante.

Vale lembrar que uma atitude como essa pode ser perigosa e irreparável. Além de ter o seu celular roubado a aluna poderia sofrer danos muito maiores. Mas como a área é bem perigosa e nunca houve nenhum tipo de policiamento, todos se defendem como podem. Cada um com a sua arma.
Um outro ponto de vista
Por: Julio Araújo

Incrível, pois muitos colegas de faculdade sempre reclamam dos riscos de assalto da rua Muniz Barreto e nunca me passou nada. Eu fico espantado já que de segunda a sexta-feira, desde 2003, quando comecei a estudar jornalismo na Facha, eu saio desde a estação do metrô Botafogo até o campus, andando quase toda a rua, mas notando outros problemas que a mesma enfrenta como iluminação e carros mal estacionados impedindo, às vezes, a passagem dos pedestres.

Na questão de iluminação, posso dizer que toda a rua Muniz Barreto é mal iluminada, principalmente nas proximidades da estação do metrô e entre as ruas Visconde de Ouro Preto e Marquês de Olinda. Sobre estacionamento, a rua conta com várias vagas e, até mesmo, alguns particulares, mas as pessoas insistem em parar o carro nos piores lugares possíveis, como em esquinas, por exemplo, é só dar uma passada na esquina da Marques de Olinda e Muniz Barreto, é um absurdo.
Cenário perfeito para meliantes
Indaiá Reyes

O problema da violência nas grandes cidades é pauta cotidiana dos meios de comunicação em todo o mundo. Na Rua Muniz Barreto não é diferente. A falta de iluminação e policiamento adequados formam o cenário perfeito para os “meliantes” que atuam na região.

Como ex-aluna de cadeira de Publicidade da faculdade, posso dar meu próprio depoimento sobre como a violência afeta o local. Já tive meu carro roubado estacionado em frente a faculdade. O que não foi nada se comparado com o caso de Gisele Soares, uma amiga de primeiro período, que ao sair da aula foi abordada por um homem armado, e visivelmente drogado, que a acompanhou até ponto de ônibus na praia da Botafogo, onde a manteve refém durante quase duas horas, fazendo ameaças entre frases desconexas, até simplesmente resolver entrar num ônibus e ir embora.
A partir deste dia, Gisele deixou de assistir às aulas do segundo tempo, e pouco depois resolveu abandonar o curso. Na época também, passando por um dos corredores, cheguei a escutar o caso contado por uma outra aluna que sofrera uma tentativa de assalto à mão armada indo para a faculdade. Neste caso a arma usada foi um alicate de manicuro.

Voltando à faculdade, 5 anos depois de formada, para agora concluir a cadeira de Jornalismo, vejo que muito pouca coisa mudou neste sentido. A rua continua mal iluminada, sem policiamento e a sensação de insegurança instaurada no local. Resta perguntar, o que falta acontecer para que as providências óbvias para a preservação da segurança sejam tomadas.

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Em um laboratório pressupõe-se experiências, e, como tal, o Jornal Laboratório devia investir em novidades, seja em assuntos diversificados, como Literatura, Jornalismo Científico ou Literário, pouco abordados nas atuais publicações, seja no estilo textual, variando desde a linguagem jornalística habitual até a praticada pelos adeptos do New Jornalism. Também apóio a volta da seção "Em Todo Lugar Tem Alguém da FACHA". É bom saber quais caminhos os antigos estudantes da nossa faculdade trilharam, e, a partir daí, obter um vislumbre do nosso." (Vanessa Dobbs, 20 anos, 5º período, Jornalismo)




"Sugiro que o Jornal Laboratório traga uma matéria sobre o acordo ortográfico, assunto que vai influenciar diretamente a nossa profissão. Outra sugestão seria uma parte de classificados: um "Classi-Facha", quem sabe?" (Daniele Garcia, 5º período, Jornalismo)

15/05/08

"O aluno também recomenda": Entrevista com professor Aristides Alonso na revista "360º"



O aluno Rodrigo Novaes de Almeida sugere a leitura da entrevista do professor Aristides Alonso, publicada na revista de Comunicação "360º". Para ler é só passar o mouse na imagem.

"Matéria recomendada por": professor PC Guimarães



Você também pode publicar resenhas de livros e de filmes no blog do Jornal Laboratório.

O HOMEM DA VOZ E DA BOLA
por Nara Boechat Roberty
(Aluna de Documentação Gráfica e Audiovisual)

“Se concentração ganhasse jogo, time de penitenciária não perderia um”. O dono dessa fabulosa frase é conhecido de muitos, jovens e velhos, amantes do esporte e da literatura: o cronista João Saldanha. Recentemente, o seu público ganhou de presente uma biografia do inovador jornalista, escrita por André Iki Siqueira.

Com um ídolo na cabeça e uma idéia em mãos, André começou sua pesquisa para o livro e um documentário – o qual foi classificado para o festival “É tudo verdade”, que ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 31 de março – e durante quatro anos, se empenhou em traçar a trajetória de um dos maiores comentaristas esportivo do país.

Acompanhando a história do cronista desde os seus nove anos - quando foi pela primeira vez ao Maracanã ver um jogo da seleção, com Saldanha no comando -, André cultivou uma admiração por este personagem do esporte brasileiro. E com sua morte, o autor percebeu que não poderia deixar uma vida tão próspera de fatos e contos ser deixada para trás e com inúmeras meias-verdades.

Por ter um temperamento bastante complicado, com um refinado mau-humor e famoso por seu pavio curto, Saldanha ficou com uma imagem desgastada no final de sua vida e carreira. Algumas vezes pelos ouvintes, que tinham a sensação do comentarista estar bêbado durante as transmissões. Outras pelos seus inimigos, cultivados muitas vezes pela inveja e ciúmes dentro das redações, durante o seu tempo jornalista e comentarista.

O livro traz a irreverência do cronista e suas mutáveis histórias. Inovador na junção de esporte e casos do cotidiano, Saldanha possui incontáveis famosas histórias, algumas até mesmo que ele não contou. Isso porque, passando de boca em boca, os amigos as aumentavam e no final acabava transformando-as em outras. Mas verdade ou não, são histórias que fazem parte da construção de uma personalidade única e autêntica.

Mas a biografia traz também um olhar diferente. O autor não quis se prender somente no comentarista esportivo e foi além. Pesquisou bastante sobre o seu outro lado e reconstruiu a pessoa que foi o grande João Saldanha. Além da sua conhecida imagem de jornalista e botafoguense doente, havia o João militante, dirigente do partido comunista, engajado em causas sociais e avesso a qualquer tipo de injustiça. Assim, André montou parte por parte de sua história e a reconstruiu, com todas as suas faces e imagens.

Foram quatro anos de trabalho por completo e acredita que tenha conseguido cumprir esta missão. André começou a pesquisa, tanto para o filme como para o livro, no ano de 2003. Em 2006, começou a gravar e terminou em 2007. Já o livro, começou no final de 2006 e durante cinco meses se empenhou apenas neste grande projeto.

Com o apoio total da família, André Iki Siqueira colocou o seu livro no mercado no final do ano passado e o sucesso foi tamanho, que em apenas um mês e meio a biografia já estava esgotada. O segredo? Apenas a vontade do público de saber um pouco mais sobre o homem que conseguiu expandir o esporte para todos os grupos de todas as classes, com uma simplicidade inigualável aos dias de hoje. A lembrança do futebol como uma grande arte e a política como uma arma para a luta do crescimento do país.

"João Saldanha - Uma Vida em Jogo"
Autor: André Iki Siqueira
Editora: Nacional
Preço: Entre R$ 43,60 e R$ 64,00

FACHA Vestibular - 2008


Rádio FACHA: Programa "Conexão"


Rádio FACHA apresenta: Programa “Conexão” - música, informação e atitude
Renata Gomes
O “Conexão” é um programa de variedades, que alia informação e entretenimento. A atração, ao vivo, é exibida todas as quintas-feiras, sempre às nove da manhã, no
www.radio-facha.blogspot.com

Entrevistas, agenda cultural, esporte, música e os destaques no jornalismo fazem parte do cardápio do programa.

O público de casa ouve o programa e participa do “Conexão” através do chat. A interatividade, aliás, é uma das marcas desta atração.

Convidados que já participaram do nosso programa: a jornalista Leilane Neubarth, o ator Fernando Caruso, o grupo musical Casuarina e as atrizes Isabel Fillardis e Sylvia Bandeira.

Visite o nosso blog: www.radio-facha.blogspot.com


Ficha Técnica:
Apresentação: Alessandra Lucas e João Vitor Telles * Comentários: Marcelo Coletty, Marcelo Vitor e Willy Rangel * Reportagem: Aline Souza e Renata Gomes * Operador de áudio: Jair Neto e Isabela Rangel * Produção e Direção: Renata Gomes * Direção Geral: Guto Neto * Realização FACHA.

14/05/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Gostaria de saber mais sobre o primeiro estágio e dicas para conseguí-lo. Estou no primeiro período e acho importante situar os alunos sobre o mercado e nossa profissão. Toda ajuda é bem vinda!" (Hanna Malta, 17 anos, Jornalismo, 1º período).




“Eu quero mais notícias sobre Relações Públicas e o mundo empresarial. Matérias que relatem o dia-a-dia dos profissionais da área de RP e que abordem a prática da profissão. Na verdade, eu acho que, sendo um veículo interno da FACHA, o Jornal Laboratório deveria fazer uma série dessas reportagens, abordando todas as habilitações que ela oferece. Seria um incentivo aos alunos.” (Thamiris Travassos, 20 anos, 2° período, Jornalismo)




“Acho que seria interessante se o Jornal Laboratório mostrasse ex-alunos bem sucedidos na profissão. Dicas de livros, filmes e lugares para procurar estágio também seriam bem-vindas.” (Mariana Sá de Barros, 21 anos, 5° período).


“O meu interesse no Jornal Laboratório é algo que percebo já há algum tempo, e notado não só por mim como também por muitos amigos e conhecidos que estudam na FACHA. É importante que o jornal tenha informações referentes às oportunidades de estágios já contidas no site ou mesmo no mural da FACHA. Mas algo que seria um bom diferencial e auxiliaria melhor o estudante é a lista de empresas (privadas ou públicas) as quais a faculdade é cadastrada. Caso não seja ainda é importante que esse cadastro ocorra, pois sabemos o quão grande é a concorrência no mercado de trabalho nas áreas de comunicação social e ao tentar inserir nossos currículos nessas empresas, que ainda não têm conhecimento da Facha, somos quase que invariavelmente eliminados no primeiro instante. Uma boa solução para essa problemática seria a indicação prévia da faculdade para determinada empresa de acordo com o currículo do aluno”. (Carolina Calvente, 21 anos, Publicidade e Propaganda, 5° período– manhã)





“Eu gostaria de ver matérias que expressem a opinião dos profissionais da área de comunicação em todas as habilitações, com dicas de cursos e livros, que refletem a realidade do mercado de trabalho. Esse tipo de coisa faz muita diferença, incentiva os alunos no estudo e direciona sua carreira”. (Natalia Almeida, 23 anos, Jornalismo, 5°período – Manhã)


"Eu gostaria de ler a opinião dos alunos sobre assuntos polêmicos e também gostaria de ler sobre oportunidades de estágio e a experiência dos que estagiam ou que ja estagiaram". (Gabriela Pontes, 20 anos, Jornalismo, 3º período).


"Matéria recomendada por": professor Luciano Zarur


O professor Luciano Zarur recomendou para publicação no blog a matéria produzida pela aluna Ana Falex. Para ler é só clicar as imagens.

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Eu acho que o jornal poderia sempre ter matérias como a da última edição que abordava como tema principal o Estágio. Nossa faculdade tem muitas pessoas jovens que não tem idéia do que vão encarar, ou como encarar, o mercado de trabalho. Eu sou um exemplo. Tenho muitas dúvidas quanto à profissão e me formo ano que vem com apenas 21 anos. É muito bom quando o jornal da nossa faculdade aborda temas que nos esclareçam." (Jonathan da Silva Saraiva, 21 anos, 6º período, Jornalismo).




"No Jornal Laboratório eu gostaria de ver mais interação dos alunos da faculdade. De repente criar uma área no jornal para alunos de todos os períodos mandarem matérias. Eu acho isso porque fui um dos criadores do Recital Carioca, um jornal independente que rodou por um semestre na faculdade e outras e a nossa iniciativa de fazer o jornal veio em grande parte pela nossa ânsia de mesmo nos primeiros períodos já ter contato com a área que queremos atuar. Acredito que muitos outros alunos se sintam da mesma maneira. Propiciando um espaço de publicação para qualquer aluno a gente incentiva a molecada a produzir desde cedo, isso pode trazer jovens jornalistas mais bem preparados. Também seria legal atrelar projetos de alunos ao jornal, tentar incentivar a execução de projetos dos alunos fazendo a cobertura dos mesmo através do "Jornal Lab". A temática de 68 também é crucial para essa e próximas edições do jornal ao longo desse ano. É um tema atrativo para os alunos e que pode gerar reflexões que levem a mudanças de postura, a uma maior pro-atividade e poder de mudança. Seria legal montar um cronograma das matérias sobre 68 até o fim do ano para elas de alguma forma estarem interligadas e poderem construir uma idéia". (Aruan Lotar).


“Acho que seria interessante ler no Jornal Laboratório matérias sobre ex-alunos da FACHA, onde eles estão trabalhando e tal. Seria uma maneira de incentivar os estudantes de hoje a correr atrás e acreditar na profissão que escolheu”. (Carla Delduca, 7º período, Jornalismo).



“Gostaria de ler no Jornal Laboratório sobre o escritório de Relações Públicas que será instalado dentro da FACHA. Áreas de atuação, quem participa, empresas afiliadas etc”. (Thaíssa Mundim, 8º período, Jornalismo).


“Dentro do jornal poderia ter uma seção de vagas para estágios, cursos e concursos da nossa área. Mesmo tendo no site, no jornal seria uma informação a mais e é super importante para os estudantes”. (Fernanda Carvalho, 7º período, Jornalismo)

Palestra na FACHA Botafogo



Documentário “Abaixando a Máquina – Ética e Dor no Jornalismo Carioca”
é tema de palestra na FACHA Botafogo


Por Eduardo Sá

Até onde as lentes se sobrepõem ao sofrimento humano? Ética, bom senso? Qual o limite do profissional no meio desse conflito urbano? Como se dá a relação dele com a polícia, traficante e morador? O risco de vida é freqüente? É preciso fé? Essas questões e muitas outras são tratadas no documentário “Abaixando a Máquina – Ética e Dor no Jornalismo Carioca”, de Guillermo Planel, que retrata o cotidiano dos foto-jornalistas nos veículos do Rio de Janeiro. O documentário foi apresentado ontem (terça-feira) à noite na FACHA Botafogo. Logo após ocorreu uma mesa palestrante, regida pelo professor Márcio Riscado com os produtores e três fotógrafos de O Globo, Alexandre Sassaki, Custodio Coimbra e Marcelo Carnaval.


Alexandre Sassaki, Custodio Coimbra, Guillermo Planel, Renato de Paula e Marcelo Carnaval

O filme foi desenvolvido através do depoimento de diversos fotógrafos renomados da imprensa carioca junto a seus companheiros de trabalho sendo apresentadas trabalhos por eles produzidos e situações vivenciadas dentro e fora das redações. A cobertura jornalística nas comunidades do Rio de Janeiro é o eixo do documentário, que procura demonstrar as esperanças, angústias, desilusões e satisfações que a fotografia proporciona às suas vidas. É quase unânime dentre os depoimentos a busca desses jornalistas em prestarem uma contribuição social através das imagens, apesar de muitos destes jornais reproduzirem dia-a-dia somente as dificuldades criadas nessas localidades.

Segundo Guillermo Planel, idealizador do documentário e ex-aluno da FACHA, esse material mostra claramente a vida de uma categoria que ele tanto admira e mesmo com dificuldades, em face dos poucos recursos que dispunha, pôde mostrar todos os lados da situação sem cortar nenhuma opinião nem alterá-las. O vídeo é um material independente, será apresentado em faculdades e comunidades a fim de estender o debate e divulgar seu trabalho.


Fotos: Pedro Jardim

13/05/08

1968 - Palestra no CCBB





"Matéria recomendada por": professor Luciano Zarur


A partir de hoje, passamos a publicar no blog do Jornal Laboratório "matérias recomendadas" pelos professores. Abrimos a série com uma reportagem sobre Machado de Assis e Guimarães Rosa, escrita por Rodrigo Novaes de Almeida e Felipe Leão, para o trabalho de VA de "Projeto Impresso", do professor Luciano Zarur. Para ler a matéria, é só clicar nas páginas.
Os professores que puderem colaborar com o blog devem combinar com o aluno a forma de enviar as matérias. Podem ser em word (com ou sem fotos) e no formato jpg.

Site da FACHA divulga blog do Jornal Laboratório


12/05/08

O que você gostaria de ler no Jornal Laboratório?



"Dicas para os formandos. Por exemplo, como funcionará a exigência de 100 horas de trabalhos complementares para constar do currículo de formação do aluno". (Percy Rodrigues, 6 período, Jornalismo).



"Acho que o JL já contém tudo que eu gostaria de ler. Uma vez sugeri que fosse abordado a questão dos profissionais que se formam pela FACHA e ingressam no mercado de trabalho. Isso já acontece na "coluna" Em todo lugar tem alguém da FACHA; então pensei em sugerir que o JL indicasse livros sobre jornalismo, isso também já é feito - à propósito, li o livro "Em Brasília, 19 horas" e adorei. Acho que todo estudante de Jornalismo deveria ler esta bela obra de Eugenio Bucci; então agora só me resta sugeri ao JL que fale sobre os alunos que estudam comunicação e desenvolvem alguma atividade artística como teatro, música, dança, literatura, etc - se é que isso já não foi pensado anteriormente. Parabéns a todos da equipe! (Alessandro Conceição, 5º período, Jornalismo).




"Eu gostaria que tivesse uma espécie de boletim sobre esporte ou, até mesmo, somente futebol, já que é a paixão nacional. Acho que isso aguçaria a curiosidade de alguns que esporadicamente pegam o Jornal Laboratório para ler ou nunca pegaram. Talvez depois de ter o costume de pegar os jornais para ler a parte de esporte, o aluno passe a ler outras matérias de "editorias" diferentes. Ao longo do tempo, o jornal poderia até se tornar uma referência de fonte de notícias para os alunos da FACHA. Nada melhor que um jornal grátis com matérias sobre vários assuntos". (Juliana Kalil, 8º período, Jornalismo)



"Gostaria de encontrar no Jornal Laboratório um concurso "Miss FACHA". Mais oportunidades de estágios e convites para shows". (Caio de Menezes, 5° período, Jornalismo).




"As oportunidades de estágios são poucas. A FACHA poderia trazer para o campus mais feiras para estágios e também dicas de como se dar bem no jornalismo." (Cristiane Garcia, 5º período, Jornalismo).



"Livros sobre o jornalismo esportivo e saber por onde andam ex alunos da FACHA que se deram bem na carreira. Isso seria mais um motivo para se motivar. E é claro, mais oportunidades de estágios". (Leandro Panaro, 5º período, Jornalismo).



"O Jornal laboratório poderia dar dicas sobre onde achar cursos de aperfeiçoamento para produção de tv, direção.dicas dos melhores livros e como ingressar nessa carreira". (Leonel de Oliveira faz pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação no campus 2 da FACHA).




“Seria interessante publicar no blog um banco de estágios de oportunidades para acesso aos alunos, bem como publicação de entrevistas com ex-alunos que estão atuando no mercado de trabalho, e recomendações de livros que possam agregar mais conhecimento aos alunos”. (Paulo Henrique Simões, 21 anos, 7º período, Jornalismo)

11/05/08

"Comunique-se" da FACHA divulga blog do Jornal Laboratório


O "Comunique-se", boletim interno da faculdade, divulgou o blog do Jornal Laboratório em sua mais recente edição.

10/05/08

Veja (literalmente) no Jornal Laboratório de maio



A matéria de capa da edição de maio do Jornal Laboratório é sobre a revista Veja. A entrevista da página 12 é com o diretor de redação da revista, Euripedes Alcântara, entrevistado com exclusividade pela aluna-repórter Daniela Lima.

E o JL ainda tem muitas outras novidades. Não perca.

1968 - O ano que não terminou: "A opção de cada um", por professora Clecy Ribeiro

A opção de cada um
Professora Clecy Ribeiro
(Exclusivo para o blog do Jornal Laboratório)


Anos 60, de ambiente febricitante nas redações dos jornais. Desenganada, então, a pretendida neutralidade da imprensa, sequer sobravam resquícios. Os acontecimentos impõem postura diferente. 68, o símbolo, com seus antecedentes e conseqüentes, deixa de ser julgado impensável. No eco da revolta, resiste ao tempo, inventaria erros, considera lições, reafirma contexto na política européia (volta ao conservadorismo) e latino-americana (em busca de outros caminhos).

À época redatora da Editoria Internacional do JB, vi correrem – ipsis litteris – esses anos de idealismo, contestação, ira. Dos filósofos, a leitura mais que a inspiração. Marcuse serve a Berkeley, Althusser e Sartre a Nanterre e Sorbonne. Dos revolucionários, a visão onírica de um mundo solidário, igualitário. Idéias que se irradiavam por dois continentes, o americano e o europeu, suscetíveis de refletir o expansionismo das fronteiras universitárias para a sociedade, procurando politizar a massa, no contágio.

Anônima, eu os remetia, fatos e personagens, às páginas internacionais internas e, com freqüência, à primeira página. 1967 já vinha em turbilhão. Morre Guevara na Bolívia e, com ele, o pensamento de exportar a revolução cubana. A ofensiva do Tet, início do fim da guerra do Vietnã, acabaria por fortalecer o novo foco revolucionário que se abria: “criar muitos Vietnãs”.
Mas a guerra escancarou aos Estados Unidos a questão do poder revolucionário e seu papel na estrutura internacional. Fracasso ali, presságio de outras perdas. Europa inclusive. Assim, o final dos anos 60 foi pródigo para a CIA, Usaid e o militarismo. Com loas especiais a Henry Kissinger, eminência parda do governo Nixon. Ecoam no “quintal” os protestos pacifistas nunca vistos dantes nos Estados Unidos, bem como o assassínio de Luther King. Oportunamente, o Chile prefere a via das urnas. Mas a engrenagem repressora acoplada frustraria as esperanças.
Perdemos o Vietnã; não vamos nos perder na América Latina. Não por coincidência, o fim da guerra coincide com a queda de Allende, em 1973, já em marcha a Operação Condor. Bem, cada geração parece ter um horizonte histórico, embora 68 envolva mais que uma geração. Mas a cada qual, indivíduo ou classe, cabe a opção de ir além do ser social e tornar-se ator do processo. Pela revolução ou o que quer que se apresente.

1968 - O ano que não terminou: "O ano que mudou o mundo"

O ano que Mudou o mundo
Eduardo Strucchi*

O ano marcante para o mundo em desenvolvimento, 1968. A pressão popular sobre os ataques prestados pelo mundo capitalista se intensifica em cima da geração Baby Boomens (os filhos do pós segunda guerra mundial). O mundo marcado pelo conflito militar e em todas as esferas. Cinema, música, artes plásticas e direito da mulher. 1968 foi um ano marcante diferente de 67 ou 69. Todas as atividades políticas estavam potencializadas neste ano e determinou um novo comportamento mundial em busca da liberdade de expressão e a emancipação da opressão política.

A passeata dos Cem Mil que ocorreu na Av. Rio Branco marcou a presença da população nas ruas, com a participação de intelectuais, artistas e ativistas políticos. Foi praticada a memória de Edson Luís, 16 anos, morto pela polícia no restaurante Calabouço, local de reunião dos universitários. Assim como os estudantes, dirigidos pela UNE – União Nacional dos Estudantes tiveram 900 estudantes presos em São Paulo no dia 22 de julho.

Toda a mística em torno da resistência brasileira à ditadura em 1968 acabaria virando o modelo de luta pela redemocratização do país, que lutava contra o AI-5, decretado em 13 de dezembro pelo então presidente Costa e Silva. Este episódio deu início a repressão e violência instaurada no país.

A música em 68 foi reprimida pelos interesses políticos comandados pelos Governo sob a orientação dos Estados Unidos que reagia contra o comunismo. Artistas brasileiros, como Geraldo Vandré, tiveram suas músicas proibidas. Os Beatles recebem pedidos de moderação e de sua música, por conta da Guerra do Vietnã que ganhou maior repercussão com a morte do seu maior defensor Martin Luther King.

Em todo mundo acontecimentos marcantes estavam presentes naquele ano. O cinema de Stanley Kubrick com o filme “Uma Odisséia no Espaço” demonstrou seu olhar para o futuro onde este processo de desenvolvimento poderia levar o homem. Com um cinema inovador Kubrick identificava o avanço da tecnologia partir do desenvolvimento da IBM, e produção de novos processadores portáteis para computador. Nas artes plásticas Andy Warhol construía a Pop Art, movimento que construiu a base para a propaganda de massa fortalecendo o Capitalismo. 1968 é sem dúvida a marca de uma nova geração que ainda participa dos seus impactos sociais após 40 anos.

* Aluno do 5º período de Técnica de Reportagem.

1968 - O ano que não terminou: "Arte ainda que tardia"

Luciana também escreveu o texto no Laboratório, em menos de uma hora, de improviso, sem ter sido avisada de que o trabalho seria realizado.

“Arte ainda que tardia...”
Luciana Guimarães Duarte*

São muitos os elementos que constroem um país, mas somente suas vitórias, conquistas, suas perdas e frustrações, suas guerras e seus conflitos, sua arte e seu talento, são capazes de fazê-lo uma nação. E sim, não há como negar, somos um povo talentoso.

Uma das fases mais importantes na construção deste nosso arquétipo, sobrevivente e desgastado Brasil foi o conturbado e histórico ano de 1968.

Sentimos 68 até hoje....ele está em nossa liberdade de expressão, na rebeldia ainda que muitas vezes hoje sem causa e real sentido que podemos nos dar ao luxo de sentir, nosso direito e dever de ir e vir; são conseqüência da guerra armada contra a ditadura que imperava até então.
Batalha que nossos jovens em sua maioria, travaram com dor e ardor; contra a prisão do pensamento, e que tiveram na arte uma poderosa arma. O arsenal foi majestosamente montado nas ferrenhas e ludibriosas palavras do poeta Chico Buarque de Holanda.

Chico influenciou a tal ponto leigos e artistas que muitos o consideram o guru maior da liberdade pela qual tanto se lutou naquele ano. Suas músicas, compostas de versos que inspiravam e alertavam eram censuradas e vetadas por aqueles que “comandavam” até então. E nada para instigar mais a curiosidade do que o proibido. Suas letras eram entoadas como hinos no exorcismo contra o regime militar.

Mas foi sua peça, “Roda Viva”, e seus personagens brilhantemente vividos por nomes como Fernanda Montenegro, Marilia Pêra, Pedro Paulo Rangel, Paulo César Pereio que efetivamente mudaram e marcaram uma geração. Mesmo com teatros invadidos e destruídos, figurinos queimados, atores espancados, presos e torturados; a peça estreou e arrebatou com suas fortes palavras guerreiros ávidos por igualdade, justiça e a tão sonhada liberdade.
Uma das grandes damas do teatro brasileiro, Marilia Pêra em suas declarações sobre o conturbado processo de montagem de Roda Viva, afirma que nada a fazia querer ainda mais que a peça fosse vista do que os infindos obstáculos pelos quais todos envolvidos na produção suportaram. Ensaios em lugares diferentes, atores que se viam obrigados a se esconder em casas de amigos e parentes, a falta de recursos, só gerava mais gana para levar a montagem em frente. Outro grande nome, como Pedro Paulo Rangel, relata que esta foi sua primeira experiência teatral e que não haveria modo mais promissor e do qual se orgulhasse tanto do que estrear sua carreira de ator com Roda Viva.

À Chico se uniram Gil, Vinicius, Caetano, entre outros, e eles foram sem dúvida grandes expoentes da arte em 1968, apesar de tudo. Estamos aí e podemos ver. Livremente....

* Aluna do 5º período de Técnica de Reportagem.

09/05/08

"1968", "Por um socialismo mais humano"

Nota do editor:
o texto a seguir foi escrito em sala de aula, em cerca de uma hora, sem que o aluno fizesse qualquer tipo de pesquisa (inclusive na Internet), sem ter sido avisado previamente.
Sobre rosas e fogo
Rafael Ferreira*

“Por um socialismo mais humano” – Dubcek.

Talvez a frase mais famosa de 1968. Talvez o caso mais peculiar de todo aquele ano. O país era a Tchecoslováquia – atual República Tcheca e a situação era insuportável.

Desde o fim da segunda guerra mundial e a queda do nazismo e do seu temor perante a Europa, o mundo se viu dividido em dois blocos. As duas potências “vencedoras” da grande guerra entraram em disputa pela “dominação mundial”. De um lado, os Estados Unidos e o capitalismo avançavam pelo ocidente. Do outro, o socialismo soviético predominava no leste europeu e se estendia até o sudeste asiático. Grandes extensões de terra e de conglomerados populacionais sofriam influência e “deviam obediência ao seu mestre”. A situação nos países do lado oriental da chamada “Cortina de Ferro” era evidentemente mais problemática. Pobres, destruídos pela segunda guerra e sem apoio russo – contrastando com o investimento maciço que os Estados Unidos promoviam na Europa Ocidental - dezenas de países do leste europeu, como a Tchecoslováquia, afundavam no pântano promovido pelo autoritarismo socialista soviético. Um pós-colonialismo surgia no mundo. Mas nem todos concordavam com isso.

No início de 1968, um jovem membro do Partido Comunista Tcheco é nomeado primeiro secretário do partido. A situação por si só não seria polêmica. Mas a pessoa em questão, Dubcek, vinte e poucos anos, não era uma pessoa comum. Assim que chegou ao poder, Dubeck promoveu profundas reformas internas no Partido que, aos poucos, foi tendo os seus cargos preenchidos por jovens de toda a capital Praga. Ideais modernistas e revolucionários foram tomando forma. Não era de se espantar que o pensamento e as ideologias internas do Partido começassem a incomodar o “centro de comando” russo em Moscou. Mas de uma maneira sábia – e de certa forma lenta e gradual – Dubcek e sua turma foram difundindo as suas idéias por toda capital.
Propostas de reformas constitucionais que garantissem uma maior liberdade de expressão, de pensamento – ideais democráticos – eram divulgados estrategicamente pelo principal jornal de Praga. Gradualmente, intelectuais e pensadores tchecos declararam apoio ao “comandante” e, com o passar de pouco tempo, toda Tchecoslováquia aderia ao movimento revolucionário comunista e a situação agora se tornava crítica para Moscou.

Temendo que uma provável insurgência tchecoslovaca se espalhasse por seus vizinhos, Moscou toma uma medida drástica. Com o apoio das tropas do Pacto de Varsóvia – pacto que unia os países socialistas, liderado pela Rússia e criado como contrapartida ao surgimento da Otan – Praga é invadida de maneira violenta e rápida. O povo tcheco, então, reage de maneira inimaginável e não oferece resistência. Dubcek é capturado e levado à sede do Partido Comunista em Moscou. Em Praga, dezenas de emissoras de rádio guiam a população através de centenas de transmissores recém instalados pelo exército tcheco. Rosas são oferecidas aos soldados e nem um único tiro é disparado por resistência. Inteligentemente, placas nos arredores da cidade são pintadas com uma tinta fácil de ser raspada. Quando os soldados invasores raspavam as placas, ao invés de descobrirem o caminho para Praga, eram levados pra direção de Moscou. Greves nos transportes ferroviários dificultavam a entrada dos tanques e, de uma maneira ou de outra, a invasão era retardada pela “resistência inteligente e pacífica” dos tchecos.

Enquanto isso, na capital russa, Dubcek é levado a crer que a população tcheca estava sofrendo um massacre – tal e qual os húngaros em 1956. Desorientado, acaba por renunciar aos seus ideais e é destituído do cargo. O seu sucessor, um fantoche dos interesses russos, é enviado a Praga. A população se revolta quando percebe que as mudanças sonhadas seriam perdidas. Como forma de protesto, um jovem ateia fogo ao próprio corpo em Praga, na praça em frente ao parlamento.
* Aluno do 5º período de Técnica de Reportagem.